Minha mãe

Minha mãe era a generosidade personificada. Quando eu era criança eu a via como um motor ambulante, sempre trabalhando, fazendo coisas, indo e vindo, como se fosse uma máquina. Eram tantos afazeres, tantas crianças, tantas comadres, tantas plantas, tantas galinhas, tanto fogo no fogão a lenha, tanta panela fervendo, roupas no varal, casa e quintal pra varrer, costuras, marmitas, filhos homens para corrigir, filhas mulheres para proteger…Jesus, que mulher era aquela?
Certeza que não foi dela que herdei essa alma sonhadora. Ela era uma alma “fazedora”. Fazia até moveis! Dos caixotes retirados das calçadas das lojas (naquele tempo as mercadorias vinham em caixotes) sairia sapateira, mesinha de toalete, bancos, com ela não existia tempo para sonhar! E quando sentava para costurar? Ao lado um bebê, na barriga talvez outro, brincando com os retalhos duas ou três crianças, porque se costura e se é babá ao mesmo tempo.
No fim da tarde, levanta, chacoalha a peça de roupa, passa a ferro de brasa e pronto, lá vai um menino entregar a costura.
E começa outra lida, avivar o fogo, dar banho de bacia e caneca nas crianças, fazer a janta, etc.etc…
Como não conhecemos nossas mães! Hoje eu a relembro, me recordo e a admiro. Antes, talvez eu apenas a temesse. Sim, porque as mães são bravas! Ora, se são!
Em que momento minha mãe envelheceu?
Foram as dores das perdas? Primeiro um filho, depois outro e mais outro…Dez ao total. Foram as noras, depois o neto protegido, o marido, as pessoas conhecidas, afinal não se vive 93 anos impunemente!
E ela foi ficando quieta, encolheu fisicamente, perdeu a voz ativa que tinha e passou a ser coadjuvante da vida das filhas que restaram. Eu entre elas. Até que se foi como um passarinho, silenciosamente deixou de respirar numa sessão de hemodiálise. Simplesmente apagou.
Teve generosidade e dignidade até o fim!
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Publicado por blogdadivinablog

Me autodenominei Divina, Perfeita e Maravilhosa. Não é por vaidade e sim porque acredito que foi assim que Deus nos criou: à sua imagem e semelhança. Mesmo que humanamente isso pareça impossível, ao expressar minha crença me sinto bem. Busco o melhor sempre. Tenho fases, sou de Libra e isso ajuda a explicar minhas qualidades e meus defeitos. Amo a vida, minha família, meus amigos. Estudei bastante, sempre gostei de ler, li romances, documentários, biografias...mas minha maior bagagem é de vida, pois sou intensa. Amo muito, preocupo-me muito, erro muito, e procuro muito acertar! Vou dividir com vcs um pouco da minha experiência de vida, neste espaço que considero meu "travesseiro virtual" e o convido a compartilhá-lo comigo. Venha?!

4 comentários em “Minha mãe

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