O SEGREDO

Joana estava noiva e com casamento marcado. Morava em uma vila de casas e era  conhecida de todos.

Seu noivo Paulo  viera de fora para trabalhar na fábrica de cimento que havia na cidadezinha próxima.

Era engenheiro de produção. Rapaz fino, de cidade grande, bonito, bem apessoado, um partidão, como falavam as amigas da mãe de Joana.

Eles se conheceram da maneira mais trivial possível. Como engenheiro, ele tinha que usar uma espécie de jaleco com o emblema da firma por cima da sua camisa para ir ao setor de produção da fábrica. Ocorre que lhe deram uniforme maior que o seu tamanho e, ao procurar uma costureira, Paulo chegou à casa da mãe de  Joana.

Ela, na flor dos seus vinte anos, pele de porcelana, boca bem desenhada, cabelos pretos em um corte simples, mas com o charme de uma vasta franjinha. Não havia mesmo como Paulo não se encantar por ela. 

E nas idas e vindas para arrumar os jalecos, os dois passaram a conversar. 

Enquanto a mãe pregava de volta o bolso com a logomarca da empresa, Paulo percebeu os livros na estante e perguntou de quem eram. Joana lhe contou que era uma leitora voraz, que adorava ler, mas infelizmente não tinha com quem trocar ideias e impressões a respeito do que lia; 

Paulo fica surpreso com a desenvoltura de Joana ao lhe falar dos livros e autores.

Assim foi o começo do namoro de ambos: o interesse em comum pelos livros. É óbvio que a literatura sendo um assunto inesgotável trouxe  muita troca entre ambos, até que se perceberam apaixonados. 

A mãe de Joana, feliz com a escolha da filha, não se cansava de o elogiar para as  amigas. Um ano passou rápido. Paulo entrou de férias e viajou para sua cidade. Joana se entristeceu, mas ele lhe garantiu que ao voltar teria boas surpresas. Dito e feito! Antes das férias acabarem, ele telefonou e pediu para falar com a mãe de Joana. 

A senhora o atendeu, sorriu muito, demonstrou alegria com a volta antecipada que ele noticiou e 

despediu-se do futuro genro efusivamente. Claro que passou o telefone para Joana que estava ali e não se aguentava! 

Joana falava com o noivo, suas bochechas rosadas do que ouvia, suspiros disfarçados, afinal sua mãe estava ali por perto. Ah, o amor. Como é lindo o amor correspondido, a ternura cúmplice, a saudade mútua. Dona Ana lembrou-se de sua juventude e com um suspiro saiu da sala para dar tempo aos pombinhos arrulhar um pouco.

Enfim, terminado o telefonema, mãe e filha começaram a tratar os planos da próxima semana, já que Paulo avisara que viria com a mãe dele para conhecer Joana e realizarem o casamento. Não havia porque prolongar o noivado. Já estavam juntos há um ano e o amor e cumplicidade entre Joana e Paulo era a maior certeza das suas vidas. Essa seria uma ocasião festiva. 

O que marca mesmo um casamento é o vestido de noiva, as flores, o véu e a noiva. Dona Ana, no entanto, parecia ter outras preocupações. Passou a sair no meio da tarde para ir falar com o padre, ia mais vezes à casa de sua mãe, avó de Joana, demonstrava uma inquietude disfarçada. Joana, envolta nos próprios preparativos, parecia nada perceber. Os dias passando, Dona Ana mandou retocar a pintura da casa, o jardineiro veio afofar os canteiros de rosas, o caminho de margaridas bem torneado levava ao caramanchão onde seria a cerimônia, os coqueiros imperiais com suas raízes até um metro pintados de branco, as bouganvilles podadas e amarradas em arcos, a grama verdinha e bem aparada, o jardim estava uma maravilha! Montou-se mesas com guarda-sóis para o conforto dos convidados, na cozinha a azáfama com os docinhos e biscoitos que seriam servidos na festa, tudo como Dona Ana a vida inteira sonhara.

O amor entre elas era digno de nota, uma vivia para a outra e o capricho no preparo da festa dava a Joana a dimensão do sonho de sua mãe.

No entanto, ela percebeu as ausências repentinas da mãe, por vezes a pegava olhando ao longe, como se seus  pensamentos não estivessem ali, ou, como se houvesse uma nuvem em seu olhar. 

Os dias foram se aproximando, Paulo chegaria dentro de mais alguns dias, Joana feliz da vida participava das brincadeiras que suas amigas de infância inventaram, a avó de Joana passou a vir mais vezes conversar com Dona Ana,  todas as providências  tomadas, Joana na certeza do seu amor, sequer se preocupava se sua futura sogra poderia não gostar dela. O vestido feito por sua mãe era o sonho de toda noiva: um modelo maravilhoso de cetim, que delineava seu corpo e descia em um corte godê, levemente arredondado em uma pequena cauda, tudo compatível com a beleza e elegância do cenário preparado.

Enfim, Paulo e sua mãe chegaram! Que alegria foi para Joana rever seu noivo e conhecer a sua sogra.

Nada, nem uma sombra estragaria o dia do seu casamento, nem uma nuvem no céu com prenúncio de chuva, nem um vento inesperado para estragar a festa. O dia amanhecera como aqueles dias mágicos com o céu pintado de um azul brilhante, o sol esquentando sem escândalo, as flores voluptuosas se expondo aos olhos de quem as admirasse, e mais do que tudo, o que alegrava Joana é que sua mãe voltara a sorrir. 

Dona Ana, por sua vez, foi do céu ao inferno e voltou em todos os dias dos preparativos ao casamento. Apenas ela, sua mãe, e o padre dividiram a angústia que antecederam o dia do casamento de Joana.

Não, não é verdade que um raio possa cair duas vezes no mesmo lugar. Joana estava se casando com seu noivo Paulo. E ele não faltara à cerimônia do seu casamento!

Publicado por blogdadivinablog

Me autodenominei Divina, Perfeita e Maravilhosa. Não é por vaidade e sim porque acredito que foi assim que Deus nos criou: à sua imagem e semelhança. Mesmo que humanamente isso pareça impossível, ao expressar minha crença me sinto bem. Busco o melhor sempre. Tenho fases, sou de Libra e isso ajuda a explicar minhas qualidades e meus defeitos. Amo a vida, minha família, meus amigos. Estudei bastante, sempre gostei de ler, li romances, documentários, biografias...mas minha maior bagagem é de vida, pois sou intensa. Amo muito, preocupo-me muito, erro muito, e procuro muito acertar! Vou dividir com vcs um pouco da minha experiência de vida, neste espaço que considero meu "travesseiro virtual" e o convido a compartilhá-lo comigo. Venha?! Criei este blog em agosto de 2010 na plataforma blogspot. Posteriormente o trouxe para o WordPress . Agora em 2021 estou agregando-o ao meu site asdivinas.com.br

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