TRAGA O MATE

Linhas coloridas, brancas, carretéis com formato de cones.  Tesouras que faziam roc, roc ao deslizar nos tecidos mais encorpados, obedecendo o trajeto comandado por aquelas mãos já calejadas. No chão, caixas para juntar as arestas e retalhos, que ao fim do dia seriam separados para uso futuro ou descartados, como as bandeirolas  multicoloridas ao fimContinuar lendo “TRAGA O MATE”

O SEGREDO

Joana estava noiva e com casamento marcado. Morava em uma vila de casas e era  conhecida de todos. Seu noivo Paulo  viera de fora para trabalhar na fábrica de cimento que havia na cidadezinha próxima. Era engenheiro de produção. Rapaz fino, de cidade grande, bonito, bem apessoado, um partidão, como falavam as amigas da mãeContinuar lendo “O SEGREDO”

SONHOS

As colinas faziam parte dos dois sonhos. Na verdade, não eram propriamente colinas. Havia longos trechos planos, algumas pedras ou rochas que formavam os aclives, e novamente a planície. O proprietário da primeira casa escolhera a parte plana ao fundo do terreno para construir o casarão. Sendo assim, havia uma  alameda em suave relevo queContinuar lendo “SONHOS”

A GAROTA, A AVÓ E AS ESTRELAS

— Vovó, olha como o céu tem muitas estrelas hoje!— Oi?— O céu, vó! Tá cheinho de estrelas. Tô com medo!— Medo? Medo de quê, Anita?— Medo de você, ou a mamãe, ou o Pedrinho virar  estrela e ir morar no céu.— Anita, de onde você tirou isso?— Ah, vó, eu sei que quando asContinuar lendo “A GAROTA, A AVÓ E AS ESTRELAS”

O CAFÉ

Sabe aquela música brasileira ”Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí”, de Assis Valente, que foi sucesso primeiramente na voz da cantora Carmem Miranda e depois com inúmeros outros artistas? Vocês a conhecem? Se a resposta for sim, então penso vir à sua mente um tipo de homem cheio de malemolência, daqueles de boaContinuar lendo “O CAFÉ”

UM VIVA AOS DEZESSETE!

Vinham todos juntos. Moravam para o mesmo lado e estudavam na mesma escola. O grupo era composto de oito adolescentes. Cidade do interior é assim. Vizinhos são colegas, amigos são vizinhos. Mãe é comadre de outra mãe, pais trabalham na mesma companhia, a vida é coletiva. Mas o grupo não era homogêneo. Havia os sub-grupos,Continuar lendo “UM VIVA AOS DEZESSETE!”

NELSON ÀS AVESSAS

— Oi, vai desocupar? — A vaga? Sim, só um minutinho. Logo chega um garotinho e entra no carro de Diana. O carro do rapaz estava com o pisca alerta ligado, ele afasta-se um pouco para que ela possa sair. Ela dá um tchauzinho e arranca com o carro. Não sem antes olhar pelo retrovisorContinuar lendo “NELSON ÀS AVESSAS”

O BAILE DE FORMATURA

  Marta sentia que a cidade era dividida. Geográfica, cultural e socialmente. Esse sentimento ora aflorava com ímpeto, ora era apenas subentendido por ela. Não que ela ficasse segregada a um lado só da cidade. Não! A escola, o clube, a biblioteca, entre outros recintos e departamentos, embora ficassem à direita da vala que separavaContinuar lendo “O BAILE DE FORMATURA”

A LOIRA DO BANHEIRO

  — Alguma coisa deve ter acontecido com ela no banheiro.  — Seria no banheiro de casa? Ou no da escola? Talvez no banheiro de uma estação de ônibus. E se era passageira e não olhou o número do próprio ônibus antes de entrar no banheiro? Na estação, ficam dez ônibus com motoristas impacientes apressandoContinuar lendo “A LOIRA DO BANHEIRO”

A NOIVA

Lá vem ela! A noiva. Umas vinte pessoas a acompanham. Ela desceu de um ônibus. O noivo desceu também. As pessoas a esperavam ali. E vieram em um cortejo a pé. Ao seu lado, o noivo. Mas os olhos de todos era para a noiva! Ela era a curiosidade, ela era a estranha, ela eraContinuar lendo “A NOIVA”

O TRAJETO

Cansada, tarde da noite a moça atravessa a pé um triângulo de ruas, para finalmente chegar à avenida onde passa seu ônibus. Ela sabe que não devia fazer esse trajeto, mas só de pensar em aguardar quarenta minutos em outro coletivo para chegar ao mesmo ponto de ônibus, lhe dá o impulso necessário para,  mesmoContinuar lendo “O TRAJETO”

MEDO

Luiz descia a rua assoviando. Mais uma quadra e meia chegaria em sua casa. O bairro era escuro, poucos postes de iluminação, o dia ainda no lusco-fusco do alvorecer. Ele era porteiro de um hospital e estava vindo de seu plantão noturno. Antes da esquina onde morava, Luiz passou em frente ao que fora umaContinuar lendo “MEDO”

O ESTRANGEIRO

Um estranho. Para as pessoas distraídas, apressadas, pensativas, envolvidas em seus pensamentos ou problemas, em que mudar a marcha do carro vem a ser um ato automático, o rapaz parado ali naquele cruzamento praticamente não existia ou era apenas isso: a figura de um estranho. Nem sequer era olhado pelo retrovisor ao ficar para trás.Continuar lendo “O ESTRANGEIRO”

O CASARÃO

O trem vinha diminuindo a marcha, Adélia acordou as crianças, um menino de cinco anos e a garotinha de dois anos. Paulo, seu marido, pegou as malas, sacolas, e a bicicleta do vagão de carga. Quando o trem parou as pessoas desceram, uns abraçavam eufóricos os parentes, outros buscavam o carro de praça, outros colocavamContinuar lendo “O CASARÃO”

Estranhezas…

Almas. Almas rasas, almas profundas. Almas quietas, almas inquietas. Almas glutonas. Ou seriam corpos glutões? Almas machucadas, doídas, que são só percebidas. Almas irmãs, almas curiosas. Ao nos encontrarmos para um almoço coletivo temos uma infinidade de providências. Depois de tudo providenciado, aí é só curtir, conversar, rir, comer, beber. Ou ver as almas. ÉContinuar lendo “Estranhezas…”

Lembranças e Saudades Jardim-MS II

Em início de 1967 eu cursava o terceiro ano ginasial e faria 15 anos em outubro daquele ano. Aos rapazes ( meus irmãos), a vida oferecia um futuro delineado no que os aguardava como serviço militar obrigatório, mas que no fundo era uma boa possibilidade de aprenderem uma profissão, engajarem na vida militar, ou mudaremContinuar lendo “Lembranças e Saudades Jardim-MS II”