A garota, a avó e as estrelas.

— Vovó, olha como o céu tem muitas estrelas hoje!— Oi?— O céu, vó! Tá cheinho de estrelas. Tô com medo!— Medo? Medo de quê, Anita?— Medo de você, ou a mamãe, ou o Pedrinho virar  estrela e ir morar no céu.— Anita, de onde você tirou isso?— Ah, vó, eu sei que quando asContinuar lendo “A garota, a avó e as estrelas.”

O CAFÉ

Sabe aquela música brasileira ”Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí”, de Assis Valente, que foi sucesso primeiramente na voz da cantora Carmem Miranda e depois com inúmeros outros artistas? Vocês a conhecem? Se a resposta for sim, então penso vir à sua mente um tipo de homem cheio de malemolência, daqueles de boaContinuar lendo “O CAFÉ”

UM VIVA AOS DEZESSETE!

Vinham todos juntos. Moravam para o mesmo lado e estudavam na mesma escola. O grupo era composto de oito adolescentes. Cidade do interior é assim. Vizinhos são colegas, amigos são vizinhos. Mãe é comadre de outra mãe, pais trabalham na mesma companhia, a vida é coletiva. Mas o grupo não era homogêneo. Havia os sub-grupos,Continuar lendo “UM VIVA AOS DEZESSETE!”

NELSON ÀS AVESSAS

— Oi, vai desocupar? — A vaga? Sim, só um minutinho. Logo chega um garotinho e entra no carro de Diana. O carro do rapaz estava com o pisca alerta ligado, ele afasta-se um pouco para que ela possa sair. Ela dá um tchauzinho e arranca com o carro. Não sem antes olhar pelo retrovisorContinuar lendo “NELSON ÀS AVESSAS”

O BAILE DE FORMATURA

  Marta sentia que a cidade era dividida. Geográfica, cultural e socialmente. Esse sentimento ora aflorava com ímpeto, ora era apenas subentendido por ela. Não que ela ficasse segregada a um lado só da cidade. Não! A escola, o clube, a biblioteca, entre outros recintos e departamentos, embora ficassem à direita da vala que separavaContinuar lendo “O BAILE DE FORMATURA”

Lendas Urbanas Repaginadas – A LOIRA DO BANHEIRO

  — Alguma coisa deve ter acontecido com ela no banheiro.  — Seria no banheiro de casa? Ou no banheiro da escola? Talvez no banheiro de uma estação de ônibus. E se o passageiro não olhou o número do próprio ônibus antes de entrar no banheiro? Na estação, ficam dez ônibus com motoristas impacientes apressandoContinuar lendo “Lendas Urbanas Repaginadas – A LOIRA DO BANHEIRO”

A NOIVA

Lá vem ela! A noiva. Umas  vinte pessoas a acompanham. Ela desceu de um ônibus. O noivo desceu também. As pessoas a esperavam ali. E vieram em um  cortejo a pé. O noivo? Ao seu lado. Mas os olhos de todos era para a noiva! Ela era a curiosidade, ela era a estranha, ela eraContinuar lendo “A NOIVA”

O TRAJETO

Cansada, tarde da noite a moça atravessa a pé um triângulo de ruas, para finalmente chegar à avenida onde passa seu ônibus. Ela sabe que não devia fazer esse trajeto, mas só de pensar em aguardar quarenta minutos em outro coletivo para chegar ao mesmo ponto de ônibus, lhe dá o impulso necessário para,  mesmoContinuar lendo “O TRAJETO”

MEDO

Luiz descia a rua assoviando. Mais uma quadra e meia chegaria em sua casa. O bairro era escuro, poucos postes de iluminação, o dia ainda no lusco-fusco do alvorecer. Ele era porteiro de um hospital e estava vindo de seu plantão noturno. Antes da esquina onde morava, Luiz passou em frente ao que fora umaContinuar lendo “MEDO”

O ESTRANGEIRO

Um estranho. Para as pessoas que passavam de carro ali naquele cruzamento, ele era apenas isso: a figura de um estranho. Nem sequer era olhado pelo retrovisor ao ficar para trás. E amanhã de novo e, de novo. Um ninguém. Mas ela, a garota que passava todos os dias naquela esquina havia olhado prá ele, e sempreContinuar lendo “O ESTRANGEIRO”

O CASARÃO

O trem vinha diminuindo a marcha, Adélia acordou as crianças, um menino de cinco anos e a garotinha de dois anos. Paulo, seu marido, pegou as malas, sacolas, e a bicicleta do vagão de carga. Quando o trem parou as pessoas desceram, uns abraçavam eufóricos os parentes, outros buscavam o carro de praça, outros colocavamContinuar lendo “O CASARÃO”

Estranhezas…

Almas. Almas rasas, almas profundas. Almas quietas, almas inquietas. Almas glutonas. Ou seriam corpos glutões? Almas machucadas, doídas, que são só percebidas. Almas irmãs, almas curiosas. Ao nos encontrarmos para um almoço coletivo temos uma infinidade de providências. Depois de tudo providenciado, aí é só curtir, conversar, rir, comer, beber. Ou ver as almas. ÉContinuar lendo “Estranhezas…”

A vo de Maria

A vó de Maria Maria sabe que não é época de vacas gordas. Sabe por saber, ninguém precisa falar. É fácil perceber. O café da manhã é frugal. Que palavra bonita para dizer que a refeição do café da manhã não vai lhe matar a fome! Na escola vai ter leite no recreio. Um leiteContinuar lendo “A vo de Maria”

Lembranças e Saudades Jardim-MS II

Em início de 1967 eu cursava o terceiro ano ginasial e faria 15 anos em outubro daquele ano. Aos rapazes ( meus irmãos), a vida oferecia um futuro delineado no que os aguardava como serviço militar obrigatório, mas que no fundo era uma boa possibilidade de aprenderem uma profissão, engajarem na vida militar, ou mudaremContinuar lendo “Lembranças e Saudades Jardim-MS II”

CAPITU MODERNINHA

Capitu bem cedo sabia o que queria. Ela almejava conhecer o amor, conhecer o mundo, viver intensamente. Ahhh, mas filha única como era não seria assim tão fácil esses seus quereres todos. Ela tinha mãe e pai conservadores. Que também tinham seus sonhos! Não que Capitu terminasse o colegial e fosse para a capital estudar,Continuar lendo “CAPITU MODERNINHA”