Como estou?

Estou vivendo o dia a dia. Tenho sempre uma descoberta, uma constatação, uma indagação, e quando quero me poupar, também faço cara de paisagem, algo do tipo “nem sei do que estão falando”. Este espaço é meu “travesseiro” virtual e a ele recorro quando sinto necessidade de me analisar, me consolar ou “verbalizar” comigo mesma.
Pode ser que as pessoas não me compreendam, como também pode ser que elas vejam uma ponta de exagero nessa necessidade que sinto em escrever aqui as dúvidas, alegrias, tristezas e questionamentos que a vida me apresenta. Mas constato que na realidade, tudo isso tem a ver com a terceira idade, a qual faço parte, por lei, ja que a lei determina assim.
E, como na adolescência, onde tudo é INTENSO, VISCERAL e DRAMÁTICO é assim também, nessa etapa em que me encontro. Aos meus doze, treze anos, foi uma época de perguntas sem respostas, choros sem motivos, alegrias inesperadas e todos os sintomas típicos de quem está deixando a infância para entrar na idade adulta. Agora também tenho diferentes sentimentos, ora me sinto frágil, ora me sinto invadida, às vezes corajosa, outras medrosa, mas graças a Deus a maturidade também me dá paciência, racionalidade e principalmente a fé, sem a qual não seria possível ter uma “terceira idade” sensata e serena, que é o meu projeto de vida, e pelo qual estou “trabalhando”. E viva a vida!100AA2ED-3506-426D-A4F6-320F48DC1AD1

Fragilidade Emocional

Costumamos dizer que continuamos com a mesma garra, a mesma força, a mesma independência, os mesmos “super-poderes” embora já atingida determinada idade. Penso que optamos, que decidimos, que racionalizamos em nos manter fortes. Mas que, no fundo, ficamos sim mais fragilizados emocionalmente, mesmo que estejamos bem de saúde. É como se fôssemos esvaziando o estoque de nossa força emocional. Passamos a querer andar sempre em dupla, reparem que os casais idosos só fazem atividades juntos? Ou mãe e filha, ou duas irmãs, ou dois amigos… Prestem atenção e verão que estou certa. Essa constatação se deu por observar pessoas e a mim mesma. Embora haja também os que preferem ser sós. Mas isso não demonstra força, garra, nem independência, apenas mostra que há pessoas mais velhas que se tornam ermitãs, anti-sociais, arredias, avessas a reuniões, festas, etc…Eu creio que elas também são emocionalmente frágeis, mas fazem a opção de não o demonstrar e em razão disso se tornam solitários. Reflexões, apenas reflexões. Talvez papo para um psicólogo, como diz minha amiga Wanilda, quem sabe?img_1295

Dias de Sol.

Pela fresta da porta do meu quarto vejo que já amanheceu…que bom, tenho mais um dia para viver! Abro a porta e sinto a brisa, meu pendente se balança com um suave tilintar, os pássaros voam alvoroçados, acho até que tem um ninho na cumieira da garagem. Um lindo dia de sol me convida a ser feliz! Embora lá!5B507648-FDEC-4AB8-A75A-93D1732F6260

 

Poemando…

img_1288Adorei esse poema de Luan Jessan..

“Por fora tenho tantos anos que vc nem acredita.

Por dentro, doze ou menos, e me acho mais bonita.

Por fora, óculos; algumas rugas, gordurinhas, prata nos tintos cabelos.

Por dentro sou dourada, alma imaculada, corpo de modelo.

Por fora, em aluviões, batem paixões contra o peito.

Paixões por versos, pinturas, filosofia e amigos sem despeito.

Por dentro, sei me cuidar, vivo a brincar, meio sem jeito.

Não me derrota a tristeza; não me oprime a saudade;

Não me demoro padecente.

E é por viver contente que concluo sem demora: é a menina que vive por dentro, que alegra a mulher de fora!

O que temos pra hoje?

Ah, o que temos é o que queremos, o que decidirmos ter! Tão bom isso, não é? Primeiramente vem a constatação: estou com preguiça…depois vem a conscientização: não devo deixar a preguiça me dominar… vou sair da cama, tomar um banho e enfrentar meu dia. Calma, não sou obrigada a nada, mas tenho um dever para comigo mesma: vou a Fisio, 20 minutos de bicicleta, outro tanto de subir e descer degraus, esteira, bíceps, agachamento, panturrilha, tudo isso em meio a troca de ideias, brincadeiras, nos animando uns aos outros, pois somos uma turma de “idosos” que cuida do corpo e consequentemente da Saúde. Dai para diante as horas fluem, o que tiver que ser pra hoje foi definido ao decidirmos que sim, o que temos pra hoje é que já não temos mais tempo a perder com lamúrias ou indecisões. Isso é o que temos e, eu  espero que por muitos hojes!

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Quantos anos tenho? – belíssimo texto de José Saramago

Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.

Tenho os anos em que os sonhos começam trocar carinhos com os dedos e as ilusões se transformam em esperança.

Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama louca, ansiosa para se consumir no fogo de uma paixão desejada. E em outras, uma corrente de paz, como um entardecer na praia.

Quantos anos eu tenho? Não preciso de números para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho, ao ver meus sonhos destruídos…
Valem muito mais que isso.

 Não importa se faço vinte, quarenta ou sessenta!
O que importa é a idade que eu sinto.

Tenho os anos de que preciso para viver livre e sem medos. 
Para seguir sem medo pelo caminho, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.

Quantos anos tenho?  Isso não importa a ninguém!
Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e sinto.

– José Saramago –

Amores…Desamores

Há na internet uma frase atribuída a uma ou  outra pessoa famosa : “Se acabou, não era amor”! Eu concordo com isso. Acredito que há desencontros, desarmonias, incoerências, mas que se houve amor, este sempre existirá. Mesmo que as pessoas não fiquem juntas. É desse desencontro amoroso que saem os poemas, os livros, os filmes, as novelas. Assim é  desde que a humanidade existe. Uma pena, não é? E raras são as histórias reais de que o amor sempre vence. A maioria dos idosos, tanto homens como mulheres são solitários,  no sentido  amoroso. Vocês acham que essas pessoas não amaram? Amaram sim, e por uma razão ou outra ( aqui excluo os viúvos e viúvas) estão sozinhos por desavenças amorosas, amores não realizados por medo, covardia, falta de perdão, de tantas coisas, de que talvez ate exista arrependimentos, e entre esses,  poucos são aqueles que se possam dizer que são “livros em branco”, que nunca amaram.  Não  concluo nada com este texto, apenas quero dividir com vocês duas passagens lindíssimas referente a esse tema. A primeira é o encontro emocionado no final da novela O CASARÃO da personagem CAROLINA (Yara Cortez) com o personagem vivido por Paulo Gracindo, em seu reencontro, onde ela pergunta: Estou atrasada? E ele responde: apenas 40 anos!  Uma cena que é um clássico da teledramaturgia, e vale a pena ser revisto. Outra é o diálogo cheio de dor e sentimento quando Shankar e Laksmy assumem o grande amor que não viveram, a cena que foi um marco nos capítulos finais da novela Caminho das Índias, que também merece ser revista.

Shankar: A vida quis assim!

Laksmi: Não lastime! Tivemos nosso tempo! E o tempo é como a cobra, nunca anda pra trás!

Shankar: Deixo com você meu coração mundano que sempre esteve CHEIO de você.

Laksmi: Guardo junto com o meu onde sempre esteve SÓ você!

Sofrido e lindo demais, não é!

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Inocência Tardia x Maturidade Precoce

Quem como eu convive com crianças, adolescentes, jovens adultos e adultos deve ter sentido essa sensação! De que fomos inocentes por idade demais ou de que as crianças e jovens de hoje tem inocência de menos.

As crianças amadurecem mais rápido hoje? Isso é real? A tecnologia, a internet, a vida atual é capaz de ter mudado questões biológicas? Se isso for verdadeiro, então eu encontro as respostas para o que me deixa perplexa… as crianças tem respostas e perguntas que aos 30 anos eu ainda não fazia ou não queria saber, por medo. Acreditem, se quiserem!

Aos 30 eu me afastava quando minhas colegas mais sábias falavam da morte. Para mim era inimaginável que se poderia falar da proximidade da morte dos pais, em razão da idade, por exemplo. Muitas vezes saí de rodas de conversas por não querer ouvir, ou por medo mesmo. Hoje quando um neto diz: se vc morrer, ou quando vc morrer, assim, de forma natural, eu apenas acompanho o raciocínio deles e me pergunto: O mundo mudou? Não sei, mas se for evolução ou leveza que faz meus pequenos conversarem comigo sobre tantos assuntos  fico feliz e me dá  plena convicção de que nossa ligação é eterna e nossa saudade, quando houver, será temporária. Sou uma pessoa realmente abençoada é só tenho o que agradecer a Deus, pelo amor que recebo! Obrigada, Meu Deus!

Viva a Sexta-feira!

Hoje é sexta-feira e só por isso a humanidade respira mais feliz! Ainda que você não seja de baladas, a sexta-feira tem seu poder. Ela tem o poder de sinalizar com uma trégua no dia a dia, nada de escolas dos netos, nada de consultas, academias, compromissos diversos.

Mesmo que vc não vá fazer nada de especial, não trate este dia como um dia comum: faça suas unhas, Vista uma roupa legal, pegue sua taça de cristal e se vc não pode tomar um drink, beba gostosamente a sua água.

A vida é bela e as pausas são importantes para nos conectarmos com o que ela tem de bom para nos brindar: olhar uma paisagem linda, ir a missa de domingo, o encontro com os amigos ou família, nos motivam a dizer: SEXTA-FEIRA SUA LINDA, QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU!!!

Geriatria

Dando continuidade ao post IDOSOS… encontrei este ótimo texto sobre Cuidadores de Idosos.

Dr. Roberto Miranda GERIATRA – CRM 64140/SP

No Brasil quase 80% dos mais de 26 milhões de idosos tem pelo menos uma doença crônica. O processo de envelhecimento, quando acompanhado de doenças que causam limitações funcionais, traz inúmeras demandas de cuidados, levando com muita frequência à necessidade de alguém auxiliar o idoso para suas atividades. Esta pessoa é chamada de “cuidador”.

Cuidador de idosos é uma profissão reconhecida pelo Código Brasileiro de Ocupações (CBO), que definiu o código 5162 para a categoria de cuidadores de pessoas idosas. Segundo o CBO, esta é uma atividade de grande responsabilidade, uma vez que estes profissionais cuidam de idosos a partir de objetivos estabelecidos por instituições especializadas ou responsáveis diretos (famílias), zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida.

O importante é lembrar que o cuidador é um profissional importante na prestação desses cuidados, mas jamais substituirá os cuidados técnicos e especializados dos profissionais da saúde que assistem os idosos
Esse cuidador pode ser um familiar ou um profissional contratado para esta finalidade. Muitos familiares assumem essa tarefa por acreditarem que cuidar de um ente querido é uma atitude natural. Entretanto independente do vínculo que se tem com o idoso, há pré-requisitos fundamentais para cuidar de alguém de forma adequada que podem ser divididos em competência pessoal e técnica.

Competência técnica

O conhecimento técnico deve ser obtido por meio de cursos de capacitação específicos para formação de cuidadores, nos quais serão abordados temas fundamentais como: processo de envelhecimento, conceitos de autonomia, independência, dependência, capacidade funcional, doenças específicas do processo de envelhecimento como as síndromes demenciais do tipo Alzheimer, estatuto do idoso, fatores de riscos que podem agravar a condição de saúde do idoso, cuidados de higiene (como banho), organização do ambiente domiciliar e principalmente aprender a ser um agente facilitador para um envelhecimento com dignidade e respeito.

Competência pessoal

O indivíduo que decide ser um cuidador precisa ter claro que deverá sempre priorizar sua própria condição de saúde, apresentar sempre capacidade e preparo físico, emocional e espiritual, cuidar da sua aparência e higiene pessoal, educação e boas maneiras, para ter condições de desempenhar suas funções no dia-a-dia. Com o passar do tempo o idoso pode ficar mais dependente e demandar mais cuidados e esforço físico e mental do cuidador, o qual deve estar com sua própria saúde física e psíquica adequada para suportar a carga de cuidados.

Outra questão importante é ser flexível para adaptar-se a diferentes estruturas e padrões familiares, respeitar a privacidade de quem está sendo cuidado, demonstrar sensibilidade e paciência para saber ouvir, pois na maior parte do tempo o idoso tem somente o cuidador como companhia e este poderá ser solicitado o tempo todo.

A realização de atividades de lazer também deve ser levada em conta, as quais devem ser de interesse do idoso. Para isso, é importante conhecer a história de vida de quem será cuidado, seus valores culturais, suas vontades e desejos, para que assim o cotidiano do idoso possa ser o mais agradável e significativo possível.

Escolhendo o cuidador

É essencial que a família tenha referências dessa pessoa, se já trabalhou em outros domicílios, se o perfil de idoso que já cuidou é similar, se tem curso de capacitação, qual a postura durante a entrevista, se demonstra ser uma pessoa calma, paciente, mas ao mesmo tempo pró-ativa para tomar decisões em momentos de emergência.

Geralmente os cursos de capacitação preparam esse profissional para atender desde idosos independentes, que necessitam de um cuidador mais como um acompanhante para prevenção e promoção de envelhecimento ativo, até idosos com vários níveis de comprometimento físico e cognitivo como por exemplo os que estão acamados e totalmente dependentes. Mas nem sempre um mesmo cuidador tem perfil para qualquer tipo de paciente e ele próprio precisa ter claro o perfil do idoso que tem aptidão para cuidar.

Caso o idoso necessite de cuidados mais especializados, a equipe de saúde que atende esse paciente, principalmente o médico responsável, irá orientar a família quanto à necessidade da contratação de profissionais com capacitação técnica condizente para cada fase desse processo. Algumas vezes, o idoso pode necessitar de profissionais de enfermagem, por exemplo.

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O importante é lembrar que o cuidador é um profissional importante na prestação desses cuidados, mas jamais substituirá os cuidados técnicos e especializados dos profissionais da saúde que assistem os idosos, como enfermeiros e técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, mas exerce um papel essencial de apoio a equipe e ao paciente.

Referências

Artigo escrito com a colaboração de Mariela Besse, terapeuta Ocupacional do Instituto Longevità, Especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e Mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Futilidades

Preciso escrever sobre futilidades! E na verdade, não sei o que seriam futilidades. Alguém pode me esclarecer? Não lhes parece que futilidades são pessoais? Individuais? Exemplo…uma pessoa que vive de forma precária, comendo frugalmente por falta de recursos, mas compra a melhor e mais cara ração para o seu gato poderia se dizer Dela que gasta com futilidades?  Eu não sei … Diz-se que determinadas pessoas são fúteis pelo seu modo de ver a vida? Porque são leves? Ou seriam rasas? Não se aprofundam em nenhuma área, não questionam valores, não se comprometem… Sinceramente, essa reflexão me veio depois de um dia pesado, quando pensei: queria ser ou ter um pouco de futilidade. É pacabá, como diria minha amiga Lu! rsIMG_1365

 

 

Idosos

imageNem sempre a idade cronológica está compatível com a idade física, tanto para mais como para menos. O que devemos nos atentar são para as necessidades, as limitações físicas que a idade nos traz.

Um bebe é esperado, o ambiente é preparado, a banheira própria, o trocador, as pomadas para assaduras, as roupas que não ofereçam perigo com cordões, botões, e assim por diante. E são os pais, os futuros idosos que fazem isso. Na velhice, nem sempre a família original ainda existe, e pior que isso, nem sempre os filhos( aqueles bebês) tem a compreensão de que chegou a hora deles cuidarem dos  seus pais idosos, com o mesmo cuidado com que foram tratados.

O idoso tem limitações de mobilidade, visuais, auditivos, e  essas limitações demoram a ser assimiladas. Geralmente, só é percebido após algum evento ou situação que acontece e nos faz constatar: Minha mãe está velha! Ou, meu pai está confuso! Voltando ao início do meu post, lembro que o clima onde o bebê chega é de expectativa, alegria, Felicidade. Já a velhice chega num clima de preocupação, de desconhecimento, de falta de paciência, não é um clima leve. Dá inclusive muitas brigas entre irmãos.

Será que estou exagerando? Talvez… Mas a conclusão a que quero chegar é que com amor, tudo fica mais fácil. O amor filial, o amor dos idosos pela sua família tornará os anos vindouros satisfatórios para todos os envolvidos: o idoso e seus familiares, e na falta desses, o idoso e seus cuidadores, pois como na primeira infância,  não há como um idoso não ser cuidado. O Estatuto do Idoso e outras legislações tratam desse assunto e prometo me informar sobre os direitos dos idosos para continuarmos essa troca de ideias!

 

 

 

 

 

 

 

 

Retalhos…

BLOG DAS DIVINAS

Retalhos de recordações…Graças a Deus sou forte, sou guerreira, sou abençoada. Sendo assim, meus retalhos de memórias não são pesados, não me ferem, não me impactam negativamente. Sou espectadora deles. É bom vc olhar para uma casa velha caindo aos pedaços e só enxergar  que tinha um gramado na frente, que havia cadeiras onde eu sentava para  olhar as meninas brincar, que havia cachorros, que passava o picolezeiro com sua buzina, que a tarde se esvaia lentamente…Eu revejo o meu cotidiano simples e humilde com muito colorido. Os olhos azuis da cor do céu do meu bebê, o vestido vermelho de bolinhas brancas da mais velha, os cabelos cacheados e cor de ouro da filha do meio, o verde da grama, o bege do pelo do cachorro…Quantas lembranças! Em 48 horas revive-se meia vida. Foi assim meu passeio este feriado de finados. Mas não foi só isso. Vi também a…

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Retalhos…

Retalhos de recordações…Graças a Deus sou forte, sou guerreira, sou abençoada. Sendo assim, meus retalhos de memórias não são pesados, não me ferem, não me impactam negativamente. Sou espectadora deles. É bom vc olhar para uma casa velha caindo aos pedaços e só enxergar  que tinha um gramado na frente, que havia cadeiras onde eu sentava para  olhar as meninas brincar, que havia cachorros, que passava o picolezeiro com sua buzina, que a tarde se esvaia lentamente…Eu revejo o meu cotidiano simples e humilde com muito colorido. Os olhos azuis da cor do céu do meu bebê, o vestido vermelho de bolinhas brancas da mais velha, os cabelos cacheados e cor de ouro da filha do meio, o verde da grama, o bege do pelo do cachorro…Quantas lembranças! Em 48 horas revive-se meia vida. Foi assim meu passeio este feriado de finados. Mas não foi só isso. Vi também a insignificância dos grandes e suntuosos túmulos de mármore, das inscrições em letras douradas, vi a vaidade que os vivos demonstram com essa ostentação póstuma  e pensei: Aqui, debaixo dos sete palmos de terra todos são iguais, independente da lápide que esteja acima da terra. Enfim, outra constatação que fiz foi sobre a relação de tamanho e espaço superlativa que as crianças tem: O CORETO DA PRAÇA DE JARDIM É LINDO, MAS TÃO MENOR DO QUE EU ME LEMBRAVA! IMG_1149F

 

 

Meu Aniversário…

0EF74C0D-B709-40FE-BB9D-A8A808FC2878.jpeg Eu tinha doze anos quando chegou a Jardim uma professora de Português, fina, elegante, pessoa de enorme capacidade didática e de grande cultura. Muito dedicada e moderna, ela criou um Grêmio Cultural no Ginásio onde estudávamos. E além das aulas de português, cuidou também de ensinar poesias, leituras, postura, tudo que nos prepararia para sermos moças elegantes e educadas. E confesso que comigo ela teve muito trabalho, pois eu tinha um misto de timidez doentia misturado com complexo de inferioridade. Ou talvez isso fosse o problema hormonal comum a todos os adolescentes em qualquer época, em qualquer lugar do mundo, não sei, o que sei era o que eu sentia! Embora nós estudássemos no único ginásio que havia, eu sabia que a cidade era dividida em dois mundos : os filhos de militares, de funcionários públicos federais e de fazendeiros de um lado e o povo comum de outro lado.

Chegou o dia da apresentação de final de ano, onde mostraríamos todo nosso progresso resultante do árduo trabalho de nossa querida mestre. Entre poesias, poemas, musicas, trovas, quadrinhas, peças teatrais, coral, jogral, etc…lá estava eu, congelada, em pânico, esperando minha vez de subir ao palco. E subi, falei o meu poema, olhos grudados nos olhos da minha mestre, que me encorajava silenciosamente. Ao recitar o último verso lembro-me de que a frase era: Bendita é a morte, que é o fim de todos os milagres! Para mim significava: Bendita é esta frase, pois significa que consegui chegar ao final!  A plateia foi generosa nos aplausos e eu rápida em sumir no meio dos colegas! Rsrs.

Hoje vejo que  a maturidade tem suas vantagens, não existe mais nenhuma divisão, nem timidez, nem diferença. Este ano resolvi festejar meu aniversário aos moldes da minha mãe, que fazia questão de comemorar a vida, quando possível em grandes festas, se não, com o que desse para fazer, mas jamais sua data natalícia passaria sem comemoração. Pois bem, com a grande plateia formada por familiares e amigos, alguém me estende um microfone e na maior naturalidade eu me vejo falando o que me vem da alma, do coração, sem nenhuma preocupação a não ser o de transmitir o que eu estava sentindo.

Eu evoluí! Obrigada a minha mestre e Parabéns para mim, em meus 65 anos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não se boicote!

Nessa fase da vida começamos a época dos médicos, exames, remedios. Não necessariamente adoecemos, mas são condições físicas que se apresentam e temos que tratar  delas. É remedinho da pressão, da diabete,  a vitaminazinha, é o antidepressivo amigo, é assim ou não é? É sim! Aí vc acha que está ótimo e pode parar  de tomar seus remédios. Não!  Você está ótimo, exatamente por isso, porque  está  tomando seus remédios, porque está se alimentando direito, cuidando do que é certo, do que deve ser feito. Somos responsáveis por nós mesmos e podemos até ser idosos, mas com saúde ! Se cuida, tá?

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Algodão Doce

Existem pessoas que somam os números das casas da rua por onde passam. Tem outros que só pisam nos mosaicos pares. Há os que começam o banho por determinada parte do corpo, enfim, há diversas manias, pois,  como diz o ditado “de médico e de louco, todo mundo tem um pouco.”

A minha loucura é  comparar a expressão facial das pessoas com bichos.  Ou fazer analogia e comparações de fatos e situações com coisas inusitadas. Hoje por exemplo eu  tive um dia de algodão doce. Estava na missa, dia do meu aniversário…agradecer a Deus por mais um ano…quando vi sorrindo pra mim meu neto mais novo, olhei surpresa, logo o outro, de outro filho, levantei os olhos dos meninos e me vi rodeada, filhas, filhos, netos e nora, todos se acomodando ao meu lado…que onda de amor me envolveu! Dia de algodão doce, Com certeza!

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Viva El Chile!

Estou em Santiago do Chile. O que essa cidade fala à minha alma? Primeiro, que sou da América Latina, que minhas raízes são deste lado do mundo, porque me sinto confortável aqui, como quando se calça um chinelo usado ou uma roupa de ficar em casa. É uma sensação familiar, de aconchego.
Segundo, que descobrir isso já nesta etapa da vida vem a ser ou trazer outro conforto: o de sentir que “isso não ia prestar”, se fosse lá atrás, na juventude!
Sou uma pessoa privilegiada: Tudo ao seu tempo, no seu momento, na proporção que me dá paz, que me deixa em paz, e, por essas  constatações, mais uma vez eu digo: Obrigada Meu Deus, muito obrigada, por sempre escrever certo, nas linhas incertas da minha vida! Boa noite, amigos. E viva el Chile!IMG_1974

50. 60. 70 anos

IMG_1975Esses números te dizem alguma coisa? Você está fazendo aniversário nessas casas decimais? 50 e pouco ou 50 e muito? Não importa. O que realmente importa é que somos de uma geração diferente. Diferente em que sentido. No sentido de que somos os jovens velhos que ainda não são velhos.  Somos as pessoas , de quem dizem que” se fez.” Estudamos, pagamos pelos nossos cursos,  compramos à prestação as nossas casas e nossos carros  e demos aos nossos filhos o que não tivemos, e só agora na metade ou metade mais um tantinho da vida pudemos  viajar ao exterior, ou mesmo viajar para todos aqueles lugares maravilhosos que sempre estiveram lá, enquanto lutávamos pelo que aprendemos ser o certo, ou seja uma vida honesta, produtiva e correta.  E sem que nós estivéssemos almejando ou suspirando por isso chegou o nosso tempo de se aposentar. E agora? O que faremos nos longos anos que se apresentam a nossa frente, graças aos avanços da medicina, aos cuidados que passamos a dedicar ao nosso bem estar e saúde? Nós mulheres não voltaremos aos crochês, porque nunca estivemos lá!  Ou, nós os homens iremos pescar como, se não praticamos pesca, enquanto trabalhamos e provemos nós mesmos e nossos filhos?  Somos os atores de uma mudança na sociedade e o nosso comportamento nesse contexto definirá  um novo olhar sobre o que se considerava velhice. Cursos, hobbys, novos interesses, quem sabe nos tornar expert em algo inusitado, já viram quantos se tornam cozinheiros gourmets? Ou passam a se dedicar ao próximo,  a ajudar a comunidade, a fazer algo pelo social, se engajam em projetos ambientais,  ou  adotam animais de estimação ao qual se dedicam como uma extensão ou substituição da antiga família?

Tudo é válido  desde que estejamos bens, felizes e nos tornemos pessoas melhores. Esse é o novo desafio que se apresenta para essa geração que modificará o conceito de velhice! A nossa geração… a geração  dos idosos jovens  ou  jovens idosos!

 

 

Se o conselho for bom…siga!

“Dicas para meus amigos que já passaram dos 50 anos:
➖ Gaste o seu dinheiro com você, com seus gostos e caprichos.
➖ É hora de usar o dinheiro (pouco ou muito) que você conseguiu economizar . Use-o para você, não para guardá-lo e não para ser desfrutado por aqueles que não tem a menor noção do sacrifício que você fez para consegui-lo.
➖ Não é tempo para maravilhosos investimentos, por mais que possam parecer bons, eles só trazem problemas e é hora de ter muita paz e tranquilidade.
➖ PARE de PREOCUPAR-SE COM A SITUAÇÃO FINANCEIRA dos filhos e netos. Não se sinta culpado por gastar o seu dinheiro consigo mesmo. Você provavelmente já ofereceu o que foi possível na infância e juventude como uma boa educação. Agora, pois, a responsabilidade é deles. JÁ NÃO é época de sustentar qualquer pessoa de sua família.
➖ Seja um pouco egoísta.
➖ Tenha uma vida saudável, sem grande esforço físico. Faça ginástica moderada (por exemplo, andar regularmente) e coma bem.
➖ SEMPRE compre o melhor e mais bonito. Lembre-se que, neste momento, um objetivo fundamental é de gastar dinheiro com você, com seus gostos e caprichos e do seu parceiro. Após a morte o dinheiro só gera ódio e ressentimento.
➖ NADA de angustiar-se com pouca coisa. Na vida tudo passa, sejam bons momentos para serem lembrados, sejam os maus, que devem rapidamente ser esquecidos.
➖ Independente da idade, sempre mantenha vivo o amor. Ame o seu parceiro, ame a vida.
➖ LEMBRE-SE !! “Um homem nunca é velho enquanto se lhe restarem a inteligência e o afeto”.
➖ Seja vaidoso. Cabeleireiro frequente, faça as unhas, vá ao dermatologista, dentista, e use perfumes e cremes com moderação.
➖ SEMPRE se mantenha atualizado. Leia livros e jornais, ouça rádio, assista a bons programas na TV, visite a Internet.
➖ Respeite a opinião dos JOVENS. Muitos deles estão mais bem preparados para a vida, como nós quando estávamos na idade deles. Nunca use o termo “no meu tempo¨. Seu tempo é agora.
➖ NÃO caia em tentação de viver com filhos ou netos. Apesar de ocasionalmente ir alguns dias como hóspede, respeite a privacidade deles, mas especialmente a sua.
➖ Pode ser muito divertido conviver com pessoas de sua idade.
➖ Mantenha um hobby. Você pode viajar, caminhar, cozinhar, ler, dançar, cuidar de um gato, de um cachorro, cuidar de plantas, jogar cartas de baralho…
➖ Faça o que você gosta e o que seus recursos permitem.
➖ ACEITE convites. Batizados, formaturas, aniversários, casamentos, conferências … Visite museus, vá para o campo … o importante é sair de casa por um tempo.
➖ Fale pouco e ouça mais. Sua vida e seu passado só importam para você mesmo. Se alguém lhe perguntar sobre esses assuntos, seja breve e tente falar sobre coisas boas e agradáveis. Jamais se lamente.
➖ Permaneça apegado à religião.
➖ Ria muito, ria de tudo. Você é um sortudo, você teve uma vida, uma vida longa.
➖ Não faça caso do que dizem a seu respeito, e menos do que pensam de você.
➖ Se alguém lhe diz que agora você não faz nada de importante, não se preocupe. A coisa mais importante já está feita: você e sua história.
➖”A vida é muito curta para beber um vinho ruim”
(Texto de Gustavo Krause)

Centro de Convivência e Integração do Idoso – CCII

Essa sigla é uma perspectiva minha. Centro de Convivência e Integração dos Idosos.  Desconheço se existe esse local, mas penso que deveria existir. Poderia ser fruto de uma política pública de sucesso, um lugar agradável onde os idosos, a exemplos das crianças em CEINF fossem passar o dia, praticar um hobby, ter grupos de conversação, de jogos de dominó, cartas, ter leituras em voz alta uns para os outros, assistir filmes em grupos, enfim passar o dia em comunidade, de forma leve e prazerosa e ao final do dia voltariam para suas casas ou para suas famílias, cheios de novidades e alegrias a ser partilhadas. Por outro lado seus familiares também teriam cumprido seus compromissos de trabalho, estudo, reuniões, transito, filhos, sem a preocupação com o idoso  que ficou em casa sozinho.

Nao é uma boa perspectiva essa?

 

 

Se a Moça Acordasse

IMG_1976Se a moça acordasse ela daria um jeito em seus cabelos, ah se daria! Ela se lembraria de como seu cabelo era uma de suas riquezas, e que mesmo sem dinheiro era bem nutrido, bem cuidado, pois cremes eram  feitos de abacates tirados do quintal, massagens era  com  ovos das galinhas, touca para alisar era feita com um pedaço de meia fina, tudo isso ela usava para deixar seus longos cabelos negros, lisos e sedosos.

Mas a moça já dormiu, e hoje, apesar dos mega Hair, dos apliques, de toda espécie de avanço que existe para se ter uma linda cabeleira, ela apenas passa a mão em seus cabelos duros, curtos, grossos e vagamente se lembra que ela e a moça são  a mesma pessoa.

Purpurina!

purpurina

Imaginem purpurina caindo e esvoaçando sobre esse texto!

Imaginem mais, fogos de artifício explodindo, uma festa das letras, das palavras, dos textos, das fotos, enfim.

Sim, assim  é minha estreia em meu novo blog: O BLOG DA DIVINA

Divina porquê? Não porque  tenho olhos verdes…rsrsrsr.

Mas, especialmente, porque acredito que TODOS somos Divinos, Perfeitos e Maravilhosos.

Porque somos o sonho de Deus, e é na busca desse sonho que procuro viver.

Nos encontraremos aqui para refletir, para falar das nossas memórias afetivas, para compartilhar experiências, para nos animar e nos mimar,

Viver a vida, e de preferência, de forma DIVINA!