Escrever

Escrever me aquieta a alma. Me conecta com um pedacinho de mim que insiste em sair, olhar, recordar, falar…
Quem me ouve ou me lê? Não sei, quero apenas ser lida por quem, como eu, enxerga sentido nos meus devaneios. Se me entenderem já terei ganho mais do que o esperado, pois escrevo para mim e por mim.
Sabe aquelas pessoas que tomam um uísque quando querem relaxar? Pois é, escrever é meu uísque. Já disse que às vezes, os pensamentos vêm mansinhos, como a água do mar calmo lambe a areia ; outras vezes, vem aos borbotões, como chuvas de verão. A maneira que as ideias fluem não é o foco…o foco é que as palavras têm que ser escritas!
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Adolescimento

Adolescimento’ impede que se estabeleça relações adultas

Ivan Martins: “As pessoas querem amar com a volúpia dos adolescentes, mas sentimentos adolescentes não resistem à intimidade e ao convívio”
Maya Santana, 50emais
Nesta interessante crônica de Ivan Martins, da revista Época, ele fala de uma faceta nossa, mesmo entre pessoas que já passaram de uma certa idade, que eu chamaria de infantil, pueril. Para o autor, “existe entre nós um estado de adolescência tardio”, que ele chama de “adolescimento” e que, na sua opinião, “atrapalha na hora de estabelecer relações adultas.” Isso acontece tanto com homens quanto com mulheres.
Veja se você se reconhece na crônica:
Se eu me lembro bem, na adolescência a gente é capaz de se apaixonar uma vez por mês. Cada vez que acontece, podemos iniciar relações que nos parecem destinadas a ser eternas, mas que costumam ser apenas intensas e breves. São fogos de artifício emocionais que nos põem em contato com uma forma aguda de felicidade. Muitos a perseguirão pelo resto da vida, imaginando se tratar do verdadeiro amor.
Depois da adolescência – disso eu tenho certeza –, cada relação é uma conquista existencial. A gente precisa achar alguém que nos apaixone e é necessário que essa pessoa também se encante de nós. Para que algo além de sexo aconteça, os dois precisam ser capazes de se envolver. Minha experiência sugere que entre adultos essa sequência de eventos não é banal ou corriqueira, e que a última parte dela, a capacidade de se envolver, vem se tornando mais rara.
As pessoas querem amar com a volúpia dos adolescentes, mas sentimentos adolescentes não resistem à intimidade e ao convívio.
Muita gente atribui esse comportamento de homens e mulheres à sem-vergonhice, como se a incapacidade de amar fosse uma decisão consciente. Dizem que homens em geral fogem do envolvimento e que mulheres modernas repelem os relacionamentos sérios. Eles e elas estariam interessados apenas em variar os parceiros sexuais, adiando para o infinito qualquer escolha definitiva – embora todos saibamos que não há mais nada de definitivo nas escolhas afetivas. Elas duram o tempo que têm de durar.
Eu tenho certeza de que a indisponibilidade afetiva nada tem a ver com sem-vergonhice, nem com a suposta racionalidade de quem desejaria “aproveitar a vida”. O buraco emocional é mais profundo. Muita gente tem dificuldades sérias em se apaixonar, gostar dos outros, sair da casca de si mesmo e se envolver. Essas pessoas são atraídas pela beleza e pela personalidade alheia, mas isso não dura. Depois de um ou dois encontros, o interesse se esvai. Logo a pessoa estará de novo na pista, olhando para os lados, achando todo mundo irresistível, até que a intimidade física e o convívio destruam a ilusão e reinstalem o vazio.
Veja bem: todos têm direito a procurar indefinidamente a outra metade da sua laranja, e ninguém é obrigado a se apaixonar pela primeira ou pela décima pessoa com quem transa. Mas, quando depois de muito tempo, e muitas e muitas laranjas, o cara ou a moça não acha ninguém que toque seus sentimentos, talvez seja hora de deitar num divã e falar sobre isso. O mundo não pode ser composto apenas de gente inadequada.
Também não é só culpa dos outros a incapacidade de estabelecer relações. Nem todas as mulheres estão cheias de defeitos íntimos. Nem todos os caras são bacanas somente até a página dois. Há um monte de gente que continua interessante uma semana, um mês e um ano depois de as termos conhecido biblicamente. Quando a gente passa o tempo todo procurando explicações no caráter dos outros para a nossa dificuldade em suportar o convívio, talvez o problema não esteja nos outros.Clique aqui para ler mais.”

Pequenas histórias III

Hoje estou deveras em determinado período do passado…
O que me conforta dos sentimentos conflitantes que vivi nessa época é que anos depois, já vivida e madura fui testemunha de que a divisão de sentimentos, o conflito entre o que é e o esperado não foi um sentimento só meu, por ser muito nova, etc…Vi e ouvi amigas formadas, com independência financeira, experiências sexuais, estabilizadas na vida, passarem pela redemoinho de emoções e conflitos por ocasião do início da vida a dois.
Mas sei que, à época que deixei pai e mãe e fui morar noutra cidade, com um bebê que dependia de mim,(banho, dar mamar, limpar, distrair, fazer dormir,etc…) e com todos os afazeres domésticos, lavar roupa, passar, cozinhar, limpar louça, limpar casa, digo com toda certeza do meu coração: EU NÃO SABIA O QUE ERA AQUELA VIDA! EU NÃO ESTAVA PREPARADA PARA AQUELA REALIDADE, AQUELE PAPEL! Como minha vida mudou tão radicalmente? Aquele era o futuro? Onde estava o amor impetuoso ou romântico dos romances de Machado de Assis, José de Alencar, ou mesmo, das fotonovelas, dos livros Julia, Sabrina e tantos outros que eu havia lido???
Sinceramente eu não sabia e nem sei como atravessei DEZ ANOS da minha vida nesse “limbo”: SER E NÃO SER! Posso apenas afirmar: Deus foi muito presente em minha vida! Como foi!!!

PEQUENAS HISTÓRIAS IV

A proteção divina acontece de variadas formas… a letra de uma canção, uma frase solta que ouvimos, uma cena, uma conversa…Deus está sempre pronto a amar e proteger. Pois Ele é Amor. E foi simples como aconteceu algo que me tirou daquela vida suspensa que eu vivia, onde não me sentia completa, onde eu não me entregava inteira. Uma colega de faculdade comentou comigo, o quanto ela se sentia mortificada ao acordar, às vezes, e encontrar um homem que ela não conhecia, saindo do quarto de sua mãe. A mãe dela era jovem, divorciada, baileira, trabalhava e as sextas feiras saía para se divertir, e independente como era, se permitia levar para seu quarto um namorado ou algo do tipo. Eu ouvi aquilo e fiquei muito impressionada! Era algo dum mundo que eu não conhecera …e constatei que nem queria conhecer! Naquele momento a alma fugidia se aquietou, tomou seu prumo, olhou para seus filhos e decidiu: Meus filhos jamais passarão por isso! Meu consciente me disse: vá assumir completamente o seu papel, moça! Esse é o seu mundo, essa é você.
Hoje ao voltar ao passado, o faço com a tranquilidade de quem, nesta altura da vida, sabe que tudo o que vivi contribuiu para o meu crescimento, e que essas recordações não me faz ter senão um sentimento, o de que vivi, senti, superei e venci a vida , pois tudo o que vivi sempre o fiz com muita intensidade e é com essa mesma intensidade que hoje me sinto em paz, em plenitude! Sou muito grata. Graças a Deus!

Pequenas histórias II

E quando eu li o Pequeno Príncipe ? Que doçura, que carinho na alma aquele pequeno príncipe me fez? Foi também no período “vc se casou, tem uma filha, é adulta, tem marido, obrigações domésticas e maternais, e a vida é esta! Como absorver algo tão acima da minha mente quase infantil e sensível? Sem nada para amaciar essa realidade? Eu só queria a minha casa cheia de irmãos e irmãs, meu pai chegando do serviço à tarde, minha mãe esbravejando com um ou outro! O Pequeno Principe me salvou, me levou a ler as estrelas, a saber o valor das horas… e de quebra, exacerbou um ciúme doentio no pai da minha filha… Hoje o compreendo bem … a minha alma fugidia não era fácil de ser aprisionada. Ah, não era não!!!

Pequenas histórias

Vou de pequenas histórias…como, por exemplo a recordação que tenho dum quintal grande, cheio de pés de laranjas e que eu varria pela manhã, com vassoura feita de guanxuma, minha pequena filha andando tropegamente ainda, me seguindo, catando uma folha aqui, uma pedrinha ali e eu varrendo e cantando a música que minha professora nos ensinou nas aulas do coral: “Vento que balança as ondas do mar, vento que assovia no telhado, me trás notícias de lá”…
Que nostalgia era aquela? A nostalgia de não estar madura, de não ter segurança de nada a não ser pai e mãe, e estar sendo obrigada a cumprir um papel a que eu não estava preparada: mulher e mãe aos 17 anos…

Sinônimos…

Pijamas bons, meias quentinhas e que não apertem, edredons e lençóis de algodão de “trocentos” fios, controles remotos funcionando bem, silêncio…Aos poucos, nossos conceitos de “gostoso” vão sendo substituídos…Melhor idade? Bom, se a outra alternativa é não ter idade nenhuma, então que vivamos essa fase da forma mais “gostosa” possível! Bom Dia!
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Álbum de Fotografias

#Reflexões#

Em todos os aspectos de nossa vida sempre encontramos uma idéia, uma prática, um exemplo que nos chama a atenção. E isso fica registrado num cantinho de nossa memória com um quê de surpresa ou admiração.

Lembrei-me hoje duma funcionária linda que trabalhava comigo , casada com um homem igualmente lindo e que tinha dois meninos idem. Era o verdadeiro protótipo do comercial de margarina. Pois bem, um dia, numa conversa informal, ela disse que quando se sentia desmotivada ou com um quê de indefinição em relação à vida, ela pegava seu álbum de casamento e o folheava lentamente para absorver os sentimentos ali demonstrados, a alegria, o amor, os sorrisos e que rememorar esse dia, a reabastecia do amor sentido , fortalecia sua convicção e a punha pronta para seguir a jornada!

Pois bem , nesse sentido fui rever meu post dos 60 anos. Foi ótimo fazer isso: hoje é domingo, eu estou bem, embora visitar meus netos!

Como diz o ” rapaz” do Bom Dia Brasil : é vida que segue!!!

“60 Anos

Bom, amanheci no dia seguinte ao meu aniversário a mesma mulher que dormiu na noite anterior. Isso me fez lembrar das minhas tres filhas que ao acordar no dia seguinte as suas festas de 15 anos , ficavam com uma carinha de interrogação , uma vez que nada havia mudado em suas vidas…rsrsrs. Nesse caso, as mudanças esperadas era o famoso futuro, a esperança, o namoro, e todas as expectativas de vida que povoa a cabecinha dos jovens.

Quanto a mim , nem sei o que eu esperava ou espero…A Marília Gabriela disse numa entrevista que quando jovem ela queria ser a Mellhor jornalista e que na fase atual, ela espera apenas ser ainda “bonitinha” e parecer bem no vídeo. Eu sinceramente estou moldando o meu espírito sonhador ao que a realidade me proporciona: sou mãe de quatro filhos adultos que me admiram pela minha história de vida, de como saí da vida de dona de casa e fui procurar melhorar minha vida e consequentemente a deles também ; sou avó de dez netos , que uns mais outros menos ( em razão da pouca idade que tem) também admiram a vovó ; tenho arraigado em mim um sentimento de compromisso com todos eles e nesse sentido o que eu procuro daqui para a frente é não preocupar , não frustar ninguém e procurar motivar-me nos olhos, sorrisos e confiança que eles depositam em mim. É isso e isso não é pouco!!!

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Biografia

Tenho tantas história que sempre ouço quem me diga: porque vc não escreve um livro? Eu diria que minha vida teve passagens marcantes, doloridas, alegres, surpreendentes, previsíveis, patéticas, e que, com a memória e a facilidade de narração que tenho certamente ela daria um livro. Porquê não o faço? Sou tímida, lembram-se? Está lá no texto: TUDO ESTÁ NO SEU LUGAR”. Fui muito pobre e isso está lá em “BLUSA CACHARREL”. Sou guerreira e isso está lá no texto “COMO TUDO COMEÇOU”, “RETALHOS”. Sou romântica, idealizei o amor: Vejam “INCOMPLETUDE, AMOR, VIDA I, VIDA II, BANZO, AMOR PLENO, FOI ASSIM, SONHOS…todos esses textos remetem ao amor sentido, vivido, não vivido. Amei e honrei pai e mãe: PADRE FÁBIO DE MELO, BRILHO, MINHA MÃE mostram isso. Fui depressiva em COTIDIANO, PRIMAVERA, PERDAS E DANOS, O ROSTO NO ESPELHO entre outros. Amo a vida, amei meu trabalho, cultivo minhas amizades e isso está demonstrado em DIRETORIA DO BEM VIVER, grupo de watts, e hoje página do Facebook. Amo filhos e netos e meus textos FAMÍLIA, SURPRESAS, NATAL remetem ao amor que tenho por minha família.
Sendo assim percebo que de maneira sutil quem quiser me entender ou conhecer já tem minha biografia. Mais do que isso seria desnudar, escancarar, expor e isso na minha opinião é só pra quem quer chocar, aparecer, “causar”. Não é o meu caso!

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Intervalo

Entendo as transformações físicas como se fossem intervalos. Como teria sido bom se eu tivesse essa visão no período em que eu chamo hoje de intervalo maior. Dos 20 aos 50/60 anos.
No primeiro período o menino quer ser homem logo, a menina quer ser moça e esse intervalo “voa”, meses fazem diferença, as crianças crescem como abobrinhas nos quintais, na calada da noite! Ontem vc olhou era flor da abóbora, dois ou três dias após, já está lá o legume com sua casca brilhante, se vc descuidar, num pequeno espaço de dias você pode já encontrar a abóbora madura!
Assim eu vejo o corpo e a vida. Acelerada em seus extremos, transformações rápidas, mudanças ocorrem num piscar de olhos. Infância e velhice são como as abobrinhas nos quintais, sem que você perceba, as mudanças físicas ocorreram e sua menina virou moça ou sua mãe envelheceu! E você? Está lá, no intervalo maior, na inocência, vivendo seu dia a dia esquecida do intervalo menor deixado para trás e achando que o próximo está tão remoto que nem cogita sobre ele. Pois então, assim eu me olho e sinto. Chegada no último intervalo, sem que houvesse percebido. Agora é ver o sabor ou utilidade que há numa abóbora madura! 🤔

Fragmentos

Fragmentos…de dor, de amor, de desamor, de emoção, de vida, enfim. Assim foi meu final de semana que teve a dor da partida da esposa de um amigo, a emoção juvenil dos noivos que disseram sim e que contagiou os jovens corações dos meus netos e mesmo que eu custasse a admitir o meu calejado coração também…O desamor ou desinteresse que pode ter outros nomes, como depressao, por exemplo…a certeza de que meu melhor papel na vida é ser mãe e avó, tudo isso me faz pensar na vida e dizer: É bonita, é bonita e é bonita! Viver é não ter a vergonha de ser feliz!8C36FDA2-C549-405E-82D2-B55780122A7B

Descobertas!

Meu neto Júnior de sete anos disse uma vez: como Vovó é bobinha! Eu não me importei porque ele fez uma constatação carinhosa, por eu não entender um joguinho que eles estavam jogando. Hoje descubro que na verdade estava “bobinha” em muitas outras coisas. Quando decidi escrever um blog sobre aposentadoria e terceira idade foi uma forma de me auto-analisar, porque colocar os carácteres num papel ( antigamente) e hoje digitar, deixando fluir o que me vem à mente para depois ler e me descobrir ali naquelas palavras, me decifra, me acalma ou me corrige. Então, a primeira beneficiada sou eu mesma com a minha atividade, por achar que eu não estava confortável com a questão da terceira idade e ou aposentadoria.

Comecei a escrever sobre o tema desde 2010 e este ano de 2017 em que eu realmente me aposentei estou deveras “produtora de Conteúdos “, como diz o meu jovem “personal”. Mas a grande descoberta que estou fazendo agora é o quanto as pessoas escrevem ou escreveram sobre o mesmo assunto. Isso me deu um alívio: Sou normal!

Estou descobrindo que a internet está cheia de blogs interessantes sobre amor na terceira idade, cuidados com a saúde, reflexões, bem envelhecer, auto ajuda e tenho encontrado muitas pessoas bacanas que me fazem sorrir feliz por também fazer parte desse universo. O universo de pessoas que quer e busca o envelhecimento saudável e mais leve! Fiquei tranquila em constatar que não estou sozinha em minhas inquietações, e que nem de longe isso quer dizer que sou bobinha !

Heroínas II

Ainda sobre as heroínas…
Por longos anos eu me refugiei nos livros, eu viajei, eu amei, eu sofri e fui feliz através dos livros que lia. Conheci a Rússia, senti o frio do inverno russo, fui para a China antiga, a China camponesa, depois a China que se rendeu ao capitalismo. Conheci Paris, quadra a quadra, seus cafés, suas estações de metrô, sua juventude fervilhante, na Paris pós guerra, conheci o interior da Inglaterra, à época das caçadas a raposas…
Enfim, entrei no mundo dos livros, sentei-me à mesa com meus “amigos”, vi paisagens, conheci costumes, mas o que realmente eu absorvia era a essência daqueles seres ali retratados.
Não o lugar comum, não o trivial, o que me atraía eram as sutilezas, os detalhes, as pequenas ações que revelavam ora o grande amor, ora a grande mágoa, ora a maldade oculta, ou o complexo de inferioridade. Posso dizer que eu era uma cientista a procura da grande descoberta que eu achava que não havia na minha vida.
Que boba que eu era! Ou será, que devo dizer: que boba que ainda sou?FFE31A37-FF6D-4545-A9E3-D32AE3B236C2

Envelhecer Bem

Envelhecer bem
Hoje em dia, muitos estudiosos tentam compreender melhor o envelhecimento e suas características.

Esse interesse se deve ao fato de que a população de idosos não para de crescer. Estima-se que em 2020, ela superará o número de crianças.

Em um mundo mais envelhecido, como viver mais e melhor?

É o que responde o geriatra Clineu Almada, da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP/EPM).

Senhoras & Senhores – Há diferenças no modo de envelhecer entre homens e mulheres?
Clineu Almada – Sim, há diferenças físicas,sobretudo hormonais. Nas mulheres, por exemplo, a queda na produção de estrogênio afeta, entre outros sintomas, a elasticidade da pele, a lubrificação de mucosas, a sustentação de alguns tecidos e a manutenção do cálcio nos ossos. Assim, a mulher tem um marco importante quando cessa a menstruação.

SS – As mulheres são mais afetadas?

CA – Nos seis ou sete primeiros anos após a menopausa, a mulher tem uma perda maior de cálcio do que os homens e tem um risco maior de fragilidade óssea. Após este período, a perda é semelhante para os dois sexos. No caso dos músculos, no geral, após os 35 anos, os dois sexos perdem massa muscular à taxa de 1% ao ano. Mas, na menopausa, a perda também é maior na mulher. Já no homem, a produção do hormônio testosterona é reduzida, porém não cessa. Esta diminuição hormonal causa perda de vigor, contudo, no geral, o homem é mais poupado do que a mulher. No caso, claro, de um envelhecimento sem doenças associadas.

SS – Além de diferenças físicas, há também diferenças sociais?
CA – Sim. Embora, se discuta bastante o preconceito relacionado à velhice, há questões culturais que permanecem. A mulher muitas vezes acaba levando uma desvantagem na inserção no mercado de trabalho ou nos relacionamentos afetivos. Esses problemas, no entanto, parecem estar diminuindo. Em países desenvolvidos, essas questões estão mais diluídas. Aqui no nosso país, ainda há preconceito e uma segregação maior para a mulher que está envelhecendo.

SS – Há campanhas que busquem eliminar esses estigmas?
CA – Não que eu conheça. Contudo, o debate existe. É importante lembrar que, em 2020, um milhão de pessoas cruzarão a barreira dos 60 anos por mês em todo o mundo. É bastante. Então, cada vez mais, principalmente em países como o Brasil, o envelhecimento ativo se tornará prioridade, tanto para homens quanto para mulheres.Trata-se de trabalhar a motivação e envelhecer da melhor forma possível.

SS – Como fazer para envelhecer bem?
CA – Não que eu tenha uma fórmula, mas posso dizer que há vários aspectos. Primeiro, temos que entender que envelhecer é a melhor hipótese que se apresenta. Esse processo vai acontecer de qualquer jeito e é uma fase da vida e do desenvolvimento pessoal de cada indivíduo. Segundo, envelhecer é passar por alterações físicas, contudo, não significa se sentir doente. Um idoso pode desempenhar todas as suas atividades muito bem, mesmo com esse declínio físico. Para isso, são necessários alguns cuidados como ter uma vida ativa e saudável.Alimentação adequada, não estar acima do peso, nem desnutrido e fazer atividade física são fundamentais.

SS – E as doenças associadas à velhice?
CA – Quando envelhecemos temos muitas chances de desenvolver doenças. Estatísticas apontam que temos, após os 60 anos, de duas a cinco doenças associadas ao processo de envelhecimento. Mas não precisamos ser doentes. Se a doença é diagnosticada precocemente, ela não vai deixar sequelas e, com isso, não haverá prejuízo funcional. Contudo, não é o que acontece. Um exemplo: 50% das pessoas com mais de 60 anos têm pressão alta, que leva a um risco muito maior de infarto ou derrame. Mas estudos populacionais mostram que somente 20% dos pacientes se tratam adequadamente. Assim, temos um alto contingente de pessoas sob risco. É importante visitar o médico com regularidade e obter diagnósticos precoces. Quanto mais cedo é o tratamento, melhor é o resultado. Por fim, não esquecer da saúde mental, ou seja, manter a mente ativa, ter planos, projetos e atividades que estimulam.

SS – Como manter esta motivação?
CA – Cada vez mais se estuda também o impacto da espiritualidade na terceira idade. Toda pessoa com mais 50 anos deveria cultivar seu lado espiritual, independente da religião. Estudos mostram que ela ajuda a fortalecer seu interior. Na velhice, a dinâmica da vida muda, as perspectivas mudam e, invariavelmente, questões sobre solidão, finitude e morte acabam aparecendo. A espiritualidade pode ajudar a envelhecer de uma forma melhor.
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Heroínas

Ao ler um romance eu me aposso das minhas heroínas. Passo a entendê-las, sofro por elas, as condeno quando acho que estão errando e as aplaudo quando gosto das suas ações. Às vezes, as minhas heroínas não são as estrelas das narrativas. Acontece de ser até um personagem secundário, mas que me chama a atenção. Quando jovem, eu não compreendia as heroínas mais velhas, umas descritas de forma nua e crua, com suas falhas humanas, como a personagem que ao perder a beleza e os prazeres da carne passa a comer e se tornar obesa ” Em Shangri-la, o Horizonte Perdido”, ou a governanta cruel do livro Primo Basílio. Essas estavam longe do meu imaginário. Ainda bem! Lembro-me de Eva, com suas quatro faces, um livro instigante, onde a personagem tinha quatro personalidades distintas e a Eva esfuziante ora tomava o lugar e invadia a vida pacata de Eva trazendo consequências desastrosas para a personagem. Sofri e torci por um final feliz para ela. Mas duas foram as heroínas que me marcaram de maneira muito generosa: Maria, em sua fé e entrega ao responder ao anjo: Faça-se em mim segundo a Sua Vontade! E a personagem do livro A exilada de Pearl Buck, uma heroína que norteou toda a minha trajetória de vida, no sentido de me dar coragem e determinação para enfrentar as dificuldades da minha recém iniciada vida de adulta e mãe, à época. Nesta idade em que me encontro estou sem heroínas. Tenho ou busco minhas inspirações em pessoas reais, contemporâneas. Interessante isso, porque significa que EU estou vivendo e construindo minha identidade da terceira idade! Uau! Que responsabilidade!

Mudanças

Nós, idosos, não gostamos de mudanças. Isso é fato! No entanto, não podemos nos apegar a isso, pois já nos mostramos uma geração de terceira idade diferente, revolucionária. Muito já se falou sobre isso: somos os idosos jovens, os sessentinhas bem resolvidos, ativos, que malham, viajam, namoram, começam novas atividades, moram muito bem sozinhos, entre outras tantas diferenças que se percebe na atual terceira idade.
2018 se aproxima e se você quiser, precisar ou resolver, mude! Mude para o melhor, mude para que este ano seja realmente novo! Não tenha medo. Feliz 2018!2EAFDA69-2EE2-40BE-9C72-600C433F7C4B

Natal

Gosto do Natal. Não vejo sentido em festejar o Ano Novo. Na realidade não tive esse costume em minha infância e não o assimilei na vida adulta. Na minha visão o Ano Novo é mais uma ilusão de que as coisas melhorem, que o peso diminua, que o corpo fique malhado, como se num passe de mágica, por ser Ano Novo nós fizéssemos tudo aquilo que sempre soubemos e não fizemos nos anos anteriores. Pareço dura? Vou analisar isso…no ano que vem, rsrsrs . O Natal é magia, a magia está no ar, é pressa, é urgência. Adoro ver na TV as pessoas embarcando, indo para junto das famílias, querendo estar juntos…eu realmente SINTO o Advento, a chegada do Novo, da Promessa! Por isso digo: Feliz Natal, meus amigos!img_4577

Avós Modernas

*Para todas as avós da nossa turma*

Quer dizer que o lobo mau conseguiu engolir nossa vovozinha? As que usavam touquinha e tinham voz rouca foram papadas, sim, meus pêsames. Mas olhe agora, o que vemos? Avós de jeans, dirigindo jipes, cabelo pintado, óculos escuros. Avós que trabalham, que viajam, que dão festas, que namoram. Avós que fazem lipo, aeróbica, jogam paddle (…) Será que elas sabem pregar um botão? Não custa tentar, mas se a empreitada der errado, não complique. Ela terá o maior prazer em levar a netinha para comprar uma roupa nova no shopping. E o almoço de domingo? Também mudou. As avós de hoje não andam dispostas a engordar nem um grama com macarronadas familiares e muito menos a quebrar suas garras vermelhas lavando panelas. Que tal um buffet frio, muita água mineral e salada de frutas?

Netos e netas, não sintam-se desamparados. As avós de hoje são muito mais participantes. Podem não lembrar direito das histórias de Gulliver, Pele de Asno ou Gato de Botas, mas têm histórias pessoais tão encantadoras quanto. São mais divertidas e menos preconceituosas. Têm mais saúde e disposição para enfrentar parques, teatrinhos, zoológicos. E o fato de buscarem a eterna juventude não lhes tirou um pingo do afeto que sentem pela terceira geração. Ao contrário: nunca vi tantas avós apaixonadas por seus netos. É um amor enorme, desinteressado, sem o ônus do compromisso, só do prazer.

(…) Se por um lado estamos perdendo a imagem romântica da avó que cozinha, faz tricô e tem roseiras no quintal, por outro estamos ganhando uma avó bonitona, que tem o maior orgulho ao falar de nós para as amigas e que sempre estará disposta a nos dar um colo. Desde que esteja com uma roupa de microfibra, bem entendido.

O amor, que é o que interessa, não mudou. Mas mudaram as avós (…) que falam gíria, bebem cerveja e estão sempre prontas para uma novidade; são avós tanto quanto as nossas saudosas velhinhas de casaquinho nos ombros. Passarão, como toda mulher, pela menopausa, pela osteosporose e por outros distúrbios da idade, mas, certamente, não aceitarão o papel de uma avó caseira, bordadeira e sem outra ambição que não seja cuidar dos netos.

Sempre se disse que a avó era uma “segunda mãe”, pois ela nunca esteve tão parecida com a primeira.

Martha Medeiros

Viajar

Viajar é dar férias para o consciente. Acordar em outra cama, outra cidade, olhar pela janela de outro quarto, curtir o descompromisso. Os transeuntes estranhos, as crianças em uniformes que vc não conhece, a pressa dos outros.
Nossa! Isso é muito bom! Viajem! Viajem logo, antes que a sua bagagem fique muito pesada. Antes que vc tenha que levar nas malas suas limitações físicas, as suas dores, os seus remédios. Ou antes que aumente o número dos que ficaram, para que vc não tenha que levar em seus pensamentos todos aqueles que não podem ir, porque aí você já pode ficar com peninha e poderá não sentir mais a leveza e o descanso que se dá a alma ao viajar.
Eu fiz minha primeira viagem aos 13/14 anos. Vim de Jardim a Campo Grande. Que espetáculo de cidade! Os letreiros de neon, (Posto Esso) Calogeras com Cândido Mariano, os carros, as vitrines, os cinemas, um mundo desconhecido que me deslumbrou.
Depois só viajei novamente aos 28 anos. Fui ao Rio de Janeiro! Nessa ocasião, embora fosse a primeira vez que vi o mar, e claro, experimentei para conferir se era mesmo salgado, eu olhei para um mundo que eu já conhecia pela televisão, e mesmo assim foi surpreendente.
Comer, beber, rir, andar, comprar lembrancinhas…Viajem! B9CF903A-BD77-4A91-BD62-43D6BEEDD38E
Maceió, Porto Seguro, Salvador, Brasilia, Bauru, Vitória, Ubatuba, Foz do Iguaçu, Miami, Paris, Londres, Lisboa, Las Vegas, Assunção, Chile…Encantei- me com cada lugar que conheci, absorvi a atmosfera, me descompromissei e fiz jus ao meu lema: Adoro viajar, e amo voltar para casa! Viajem! Viajar renova a alma!

Insônia

Insônia… Se a insônia soubesse como eu gosto de viver em outros mundos, outras dimensões, outras realidades, não me tirava o sono!

Se a insônia ouvisse o zumbido constante que ouço, me deixava descansar dele…

Se a insônia soubesse quantas casas decorei, quantos diálogos travei, quanta vida relembrei, ela me deixaria dormir.

Insônia…

Minha mãe

Minha mãe era a generosidade personificada. Quando eu era criança eu a via como um motor ambulante, sempre trabalhando, fazendo coisas, indo e vindo, como se fosse uma máquina. Eram tantos afazeres, tantas crianças, tantas comadres, tantas plantas, tantas galinhas, tanto fogo no fogão a lenha, tanta panela fervendo, roupas no varal, casa e quintal pra varrer, costuras, marmitas, filhos homens para corrigir, filhas mulheres para proteger…Jesus, que mulher era aquela?
Certeza que não foi dela que herdei essa alma sonhadora. Ela era uma alma “fazedora”. Fazia até moveis! Dos caixotes retirados das calçadas das lojas (naquele tempo as mercadorias vinham em caixotes) sairia sapateira, mesinha de toalete, bancos, com ela não existia tempo para sonhar! E quando sentava para costurar? Ao lado um bebê, na barriga talvez outro, brincando com os retalhos duas ou três crianças, porque se costura e se é babá ao mesmo tempo.
No fim da tarde, levanta, chacoalha a peça de roupa, passa a ferro de brasa e pronto, lá vai um menino entregar a costura.
E começa outra lida, avivar o fogo, dar banho de bacia e caneca nas crianças, fazer a janta, etc.etc…
Como não conhecemos nossas mães! Hoje eu a relembro, me recordo e a admiro. Antes, talvez eu apenas a temesse. Sim, porque as mães são bravas! Ora, se são!
Em que momento minha mãe envelheceu?
Foram as dores das perdas? Primeiro um filho, depois outro e mais outro…Dez ao total. Foram as noras, depois o neto protegido, o marido, as pessoas conhecidas, afinal não se vive 93 anos impunemente!
E ela foi ficando quieta, encolheu fisicamente, perdeu a voz ativa que tinha e passou a ser coadjuvante da vida das filhas que restaram. Eu entre elas. Até que se foi como um passarinho, silenciosamente deixou de respirar numa sessão de hemodiálise. Simplesmente apagou.
Teve generosidade e dignidade até o fim!
Minha mãe.C518DDE5-D837-4EC2-B02A-FF917816DFFD

Meu Pai

Tenho certeza que muitos já viram uma palestra do Padre Fabio de Melo onde ele fala da velhice. Me surpreendeu muito o que ele disse: que as pessoas tendem a avaliar qual a utilidade que alguém lhe trará. E que o idoso, por decorrência da sua condição física Que vai se fragilizando com o passar do tempo, pode e vai perder a sua utilidade. Como assim? O que será de mim, se não sou mais útil? Aí vem a sabedoria e beleza da sua argumentação: que ao não termos mais utilidade, só teremos na vida o retorno do que semeamos. E que o amor é o que nos trará cuidados na terceira idade.
Ele brinca com a situação dizendo que na sua velhice espera que haja sempre alguém que diga: COLOQUE O PADRE FABIO PARA TOMAR SOL! E mais ainda que haja quem diga: TIRE O POBRE VELHINHO DO SOL!
Faço minhas as palavras dele! Rsrs.
Quisera ter tido mais tempo para colocar e tirar meu querido pai do sol…, e também quero merecer que eu tenha quem me coloque e me tire do sol! IMG_1572

Como estou?

Estou vivendo o dia a dia. Tenho sempre uma descoberta, uma constatação, uma indagação, e quando quero me poupar, também faço cara de paisagem, algo do tipo “nem sei do que estão falando”. Este espaço é meu “travesseiro” virtual e a ele recorro quando sinto necessidade de me analisar, me consolar ou “verbalizar” comigo mesma.
Pode ser que as pessoas não me compreendam, como também pode ser que elas vejam uma ponta de exagero nessa necessidade que sinto em escrever aqui as dúvidas, alegrias, tristezas e questionamentos que a vida me apresenta. Mas constato que na realidade, tudo isso tem a ver com a terceira idade, a qual faço parte, por lei, ja que a lei determina assim.
E, como na adolescência, onde tudo é INTENSO, VISCERAL e DRAMÁTICO é assim também, nessa etapa em que me encontro. Aos meus doze, treze anos, foi uma época de perguntas sem respostas, choros sem motivos, alegrias inesperadas e todos os sintomas típicos de quem está deixando a infância para entrar na idade adulta. Agora também tenho diferentes sentimentos, ora me sinto frágil, ora me sinto invadida, às vezes corajosa, outras medrosa, mas graças a Deus a maturidade também me dá paciência, racionalidade e principalmente a fé, sem a qual não seria possível ter uma “terceira idade” sensata e serena, que é o meu projeto de vida, e pelo qual estou “trabalhando”. E viva a vida!100AA2ED-3506-426D-A4F6-320F48DC1AD1

Fragilidade Emocional

Costumamos dizer que continuamos com a mesma garra, a mesma força, a mesma independência, os mesmos “super-poderes” embora já atingida determinada idade. Penso que optamos, que decidimos, que racionalizamos em nos manter fortes. Mas que, no fundo, ficamos sim mais fragilizados emocionalmente, mesmo que estejamos bem de saúde. É como se fôssemos esvaziando o estoque de nossa força emocional. Passamos a querer andar sempre em dupla, reparem que os casais idosos só fazem atividades juntos? Ou mãe e filha, ou duas irmãs, ou dois amigos… Prestem atenção e verão que estou certa. Essa constatação se deu por observar pessoas e a mim mesma. Embora haja também os que preferem ser sós. Mas isso não demonstra força, garra, nem independência, apenas mostra que há pessoas mais velhas que se tornam ermitãs, anti-sociais, arredias, avessas a reuniões, festas, etc…Eu creio que elas também são emocionalmente frágeis, mas fazem a opção de não o demonstrar e em razão disso se tornam solitários. Reflexões, apenas reflexões. Talvez papo para um psicólogo, como diz minha amiga Wanilda, quem sabe?img_1295

Dias de Sol.

Pela fresta da porta do meu quarto vejo que já amanheceu…que bom, tenho mais um dia para viver! Abro a porta e sinto a brisa, meu pendente se balança com um suave tilintar, os pássaros voam alvoroçados, acho até que tem um ninho na cumieira da garagem. Um lindo dia de sol me convida a ser feliz! Embora lá!5B507648-FDEC-4AB8-A75A-93D1732F6260

 

Poemando…

img_1288Adorei esse poema de Luan Jessan..

“Por fora tenho tantos anos que vc nem acredita.

Por dentro, doze ou menos, e me acho mais bonita.

Por fora, óculos; algumas rugas, gordurinhas, prata nos tintos cabelos.

Por dentro sou dourada, alma imaculada, corpo de modelo.

Por fora, em aluviões, batem paixões contra o peito.

Paixões por versos, pinturas, filosofia e amigos sem despeito.

Por dentro, sei me cuidar, vivo a brincar, meio sem jeito.

Não me derrota a tristeza; não me oprime a saudade;

Não me demoro padecente.

E é por viver contente que concluo sem demora: é a menina que vive por dentro, que alegra a mulher de fora!

O que temos pra hoje?

Ah, o que temos é o que queremos, o que decidirmos ter! Tão bom isso, não é? Primeiramente vem a constatação: estou com preguiça…depois vem a conscientização: não devo deixar a preguiça me dominar… vou sair da cama, tomar um banho e enfrentar meu dia. Calma, não sou obrigada a nada, mas tenho um dever para comigo mesma: vou a Fisio, 20 minutos de bicicleta, outro tanto de subir e descer degraus, esteira, bíceps, agachamento, panturrilha, tudo isso em meio a troca de ideias, brincadeiras, nos animando uns aos outros, pois somos uma turma de “idosos” que cuida do corpo e consequentemente da Saúde. Dai para diante as horas fluem, o que tiver que ser pra hoje foi definido ao decidirmos que sim, o que temos pra hoje é que já não temos mais tempo a perder com lamúrias ou indecisões. Isso é o que temos e, eu  espero que por muitos hojes!

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Quantos anos tenho? – belíssimo texto de José Saramago

Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.

Tenho os anos em que os sonhos começam trocar carinhos com os dedos e as ilusões se transformam em esperança.

Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama louca, ansiosa para se consumir no fogo de uma paixão desejada. E em outras, uma corrente de paz, como um entardecer na praia.

Quantos anos eu tenho? Não preciso de números para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho, ao ver meus sonhos destruídos…
Valem muito mais que isso.

 Não importa se faço vinte, quarenta ou sessenta!
O que importa é a idade que eu sinto.

Tenho os anos de que preciso para viver livre e sem medos. 
Para seguir sem medo pelo caminho, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.

Quantos anos tenho?  Isso não importa a ninguém!
Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e sinto.

– José Saramago –

Amores…Desamores

Há na internet uma frase atribuída a uma ou  outra pessoa famosa : “Se acabou, não era amor”! Eu concordo com isso. Acredito que há desencontros, desarmonias, incoerências, mas que se houve amor, este sempre existirá. Mesmo que as pessoas não fiquem juntas. É desse desencontro amoroso que saem os poemas, os livros, os filmes, as novelas. Assim é  desde que a humanidade existe. Uma pena, não é? E raras são as histórias reais de que o amor sempre vence. A maioria dos idosos, tanto homens como mulheres são solitários,  no sentido  amoroso. Vocês acham que essas pessoas não amaram? Amaram sim, e por uma razão ou outra ( aqui excluo os viúvos e viúvas) estão sozinhos por desavenças amorosas, amores não realizados por medo, covardia, falta de perdão, de tantas coisas, de que talvez ate exista arrependimentos, e entre esses,  poucos são aqueles que se possam dizer que são “livros em branco”, que nunca amaram.  Não  concluo nada com este texto, apenas quero dividir com vocês duas passagens lindíssimas referente a esse tema. A primeira é o encontro emocionado no final da novela O CASARÃO da personagem CAROLINA (Yara Cortez) com o personagem vivido por Paulo Gracindo, em seu reencontro, onde ela pergunta: Estou atrasada? E ele responde: apenas 40 anos!  Uma cena que é um clássico da teledramaturgia, e vale a pena ser revisto. Outra é o diálogo cheio de dor e sentimento quando Shankar e Laksmy assumem o grande amor que não viveram, a cena que foi um marco nos capítulos finais da novela Caminho das Índias, que também merece ser revista.

Shankar: A vida quis assim!

Laksmi: Não lastime! Tivemos nosso tempo! E o tempo é como a cobra, nunca anda pra trás!

Shankar: Deixo com você meu coração mundano que sempre esteve CHEIO de você.

Laksmi: Guardo junto com o meu onde sempre esteve SÓ você!

Sofrido e lindo demais, não é!

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Inocência Tardia x Maturidade Precoce

Quem como eu convive com crianças, adolescentes, jovens adultos e adultos deve ter sentido essa sensação! De que fomos inocentes por idade demais ou de que as crianças e jovens de hoje tem inocência de menos.

As crianças amadurecem mais rápido hoje? Isso é real? A tecnologia, a internet, a vida atual é capaz de ter mudado questões biológicas? Se isso for verdadeiro, então eu encontro as respostas para o que me deixa perplexa… as crianças tem respostas e perguntas que aos 30 anos eu ainda não fazia ou não queria saber, por medo. Acreditem, se quiserem!

Aos 30 eu me afastava quando minhas colegas mais sábias falavam da morte. Para mim era inimaginável que se poderia falar da proximidade da morte dos pais, em razão da idade, por exemplo. Muitas vezes saí de rodas de conversas por não querer ouvir, ou por medo mesmo. Hoje quando um neto diz: se vc morrer, ou quando vc morrer, assim, de forma natural, eu apenas acompanho o raciocínio deles e me pergunto: O mundo mudou? Não sei, mas se for evolução ou leveza que faz meus pequenos conversarem comigo sobre tantos assuntos  fico feliz e me dá  plena convicção de que nossa ligação é eterna e nossa saudade, quando houver, será temporária. Sou uma pessoa realmente abençoada é só tenho o que agradecer a Deus, pelo amor que recebo! Obrigada, Meu Deus!

Viva a Sexta-feira!

Hoje é sexta-feira e só por isso a humanidade respira mais feliz! Ainda que você não seja de baladas, a sexta-feira tem seu poder. Ela tem o poder de sinalizar com uma trégua no dia a dia, nada de escolas dos netos, nada de consultas, academias, compromissos diversos.

Mesmo que vc não vá fazer nada de especial, não trate este dia como um dia comum: faça suas unhas, Vista uma roupa legal, pegue sua taça de cristal e se vc não pode tomar um drink, beba gostosamente a sua água.

A vida é bela e as pausas são importantes para nos conectarmos com o que ela tem de bom para nos brindar: olhar uma paisagem linda, ir a missa de domingo, o encontro com os amigos ou família, nos motivam a dizer: SEXTA-FEIRA SUA LINDA, QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU!!!

Geriatria

Dando continuidade ao post IDOSOS… encontrei este ótimo texto sobre Cuidadores de Idosos.

Dr. Roberto Miranda GERIATRA – CRM 64140/SP

No Brasil quase 80% dos mais de 26 milhões de idosos tem pelo menos uma doença crônica. O processo de envelhecimento, quando acompanhado de doenças que causam limitações funcionais, traz inúmeras demandas de cuidados, levando com muita frequência à necessidade de alguém auxiliar o idoso para suas atividades. Esta pessoa é chamada de “cuidador”.

Cuidador de idosos é uma profissão reconhecida pelo Código Brasileiro de Ocupações (CBO), que definiu o código 5162 para a categoria de cuidadores de pessoas idosas. Segundo o CBO, esta é uma atividade de grande responsabilidade, uma vez que estes profissionais cuidam de idosos a partir de objetivos estabelecidos por instituições especializadas ou responsáveis diretos (famílias), zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida.

O importante é lembrar que o cuidador é um profissional importante na prestação desses cuidados, mas jamais substituirá os cuidados técnicos e especializados dos profissionais da saúde que assistem os idosos
Esse cuidador pode ser um familiar ou um profissional contratado para esta finalidade. Muitos familiares assumem essa tarefa por acreditarem que cuidar de um ente querido é uma atitude natural. Entretanto independente do vínculo que se tem com o idoso, há pré-requisitos fundamentais para cuidar de alguém de forma adequada que podem ser divididos em competência pessoal e técnica.

Competência técnica

O conhecimento técnico deve ser obtido por meio de cursos de capacitação específicos para formação de cuidadores, nos quais serão abordados temas fundamentais como: processo de envelhecimento, conceitos de autonomia, independência, dependência, capacidade funcional, doenças específicas do processo de envelhecimento como as síndromes demenciais do tipo Alzheimer, estatuto do idoso, fatores de riscos que podem agravar a condição de saúde do idoso, cuidados de higiene (como banho), organização do ambiente domiciliar e principalmente aprender a ser um agente facilitador para um envelhecimento com dignidade e respeito.

Competência pessoal

O indivíduo que decide ser um cuidador precisa ter claro que deverá sempre priorizar sua própria condição de saúde, apresentar sempre capacidade e preparo físico, emocional e espiritual, cuidar da sua aparência e higiene pessoal, educação e boas maneiras, para ter condições de desempenhar suas funções no dia-a-dia. Com o passar do tempo o idoso pode ficar mais dependente e demandar mais cuidados e esforço físico e mental do cuidador, o qual deve estar com sua própria saúde física e psíquica adequada para suportar a carga de cuidados.

Outra questão importante é ser flexível para adaptar-se a diferentes estruturas e padrões familiares, respeitar a privacidade de quem está sendo cuidado, demonstrar sensibilidade e paciência para saber ouvir, pois na maior parte do tempo o idoso tem somente o cuidador como companhia e este poderá ser solicitado o tempo todo.

A realização de atividades de lazer também deve ser levada em conta, as quais devem ser de interesse do idoso. Para isso, é importante conhecer a história de vida de quem será cuidado, seus valores culturais, suas vontades e desejos, para que assim o cotidiano do idoso possa ser o mais agradável e significativo possível.

Escolhendo o cuidador

É essencial que a família tenha referências dessa pessoa, se já trabalhou em outros domicílios, se o perfil de idoso que já cuidou é similar, se tem curso de capacitação, qual a postura durante a entrevista, se demonstra ser uma pessoa calma, paciente, mas ao mesmo tempo pró-ativa para tomar decisões em momentos de emergência.

Geralmente os cursos de capacitação preparam esse profissional para atender desde idosos independentes, que necessitam de um cuidador mais como um acompanhante para prevenção e promoção de envelhecimento ativo, até idosos com vários níveis de comprometimento físico e cognitivo como por exemplo os que estão acamados e totalmente dependentes. Mas nem sempre um mesmo cuidador tem perfil para qualquer tipo de paciente e ele próprio precisa ter claro o perfil do idoso que tem aptidão para cuidar.

Caso o idoso necessite de cuidados mais especializados, a equipe de saúde que atende esse paciente, principalmente o médico responsável, irá orientar a família quanto à necessidade da contratação de profissionais com capacitação técnica condizente para cada fase desse processo. Algumas vezes, o idoso pode necessitar de profissionais de enfermagem, por exemplo.

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O importante é lembrar que o cuidador é um profissional importante na prestação desses cuidados, mas jamais substituirá os cuidados técnicos e especializados dos profissionais da saúde que assistem os idosos, como enfermeiros e técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, mas exerce um papel essencial de apoio a equipe e ao paciente.

Referências

Artigo escrito com a colaboração de Mariela Besse, terapeuta Ocupacional do Instituto Longevità, Especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e Mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Futilidades

Preciso escrever sobre futilidades! E na verdade, não sei o que seriam futilidades. Alguém pode me esclarecer? Não lhes parece que futilidades são pessoais? Individuais? Exemplo…uma pessoa que vive de forma precária, comendo frugalmente por falta de recursos, mas compra a melhor e mais cara ração para o seu gato poderia se dizer Dela que gasta com futilidades?  Eu não sei … Diz-se que determinadas pessoas são fúteis pelo seu modo de ver a vida? Porque são leves? Ou seriam rasas? Não se aprofundam em nenhuma área, não questionam valores, não se comprometem… Sinceramente, essa reflexão me veio depois de um dia pesado, quando pensei: queria ser ou ter um pouco de futilidade. É pacabá, como diria minha amiga Lu! rsIMG_1365

 

 

Idosos

imageNem sempre a idade cronológica está compatível com a idade física, tanto para mais como para menos. O que devemos nos atentar são para as necessidades, as limitações físicas que a idade nos traz.

Um bebe é esperado, o ambiente é preparado, a banheira própria, o trocador, as pomadas para assaduras, as roupas que não ofereçam perigo com cordões, botões, e assim por diante. E são os pais, os futuros idosos que fazem isso. Na velhice, nem sempre a família original ainda existe, e pior que isso, nem sempre os filhos( aqueles bebês) tem a compreensão de que chegou a hora deles cuidarem dos  seus pais idosos, com o mesmo cuidado com que foram tratados.

O idoso tem limitações de mobilidade, visuais, auditivos, e  essas limitações demoram a ser assimiladas. Geralmente, só é percebido após algum evento ou situação que acontece e nos faz constatar: Minha mãe está velha! Ou, meu pai está confuso! Voltando ao início do meu post, lembro que o clima onde o bebê chega é de expectativa, alegria, Felicidade. Já a velhice chega num clima de preocupação, de desconhecimento, de falta de paciência, não é um clima leve. Dá inclusive muitas brigas entre irmãos.

Será que estou exagerando? Talvez… Mas a conclusão a que quero chegar é que com amor, tudo fica mais fácil. O amor filial, o amor dos idosos pela sua família tornará os anos vindouros satisfatórios para todos os envolvidos: o idoso e seus familiares, e na falta desses, o idoso e seus cuidadores, pois como na primeira infância,  não há como um idoso não ser cuidado. O Estatuto do Idoso e outras legislações tratam desse assunto e prometo me informar sobre os direitos dos idosos para continuarmos essa troca de ideias!

 

 

 

 

 

 

 

 

Retalhos…

Retalhos de recordações…Graças a Deus sou forte, sou guerreira, sou abençoada. Sendo assim, meus retalhos de memórias não são pesados, não me ferem, não me impactam negativamente. Sou espectadora deles. É bom vc olhar para uma casa velha caindo aos pedaços e só enxergar  que tinha um gramado na frente, que havia cadeiras onde eu sentava para  olhar as meninas brincar, que havia cachorros, que passava o picolezeiro com sua buzina, que a tarde se esvaia lentamente…Eu revejo o meu cotidiano simples e humilde com muito colorido. Os olhos azuis da cor do céu do meu bebê, o vestido vermelho de bolinhas brancas da mais velha, os cabelos cacheados e cor de ouro da filha do meio, o verde da grama, o bege do pelo do cachorro…Quantas lembranças! Em 48 horas revive-se meia vida. Foi assim meu passeio este feriado de finados. Mas não foi só isso. Vi também a insignificância dos grandes e suntuosos túmulos de mármore, das inscrições em letras douradas, vi a vaidade que os vivos demonstram com essa ostentação póstuma  e pensei: Aqui, debaixo dos sete palmos de terra todos são iguais, independente da lápide que esteja acima da terra. Enfim, outra constatação que fiz foi sobre a relação de tamanho e espaço superlativa que as crianças tem: O CORETO DA PRAÇA DE JARDIM É LINDO, MAS TÃO MENOR DO QUE EU ME LEMBRAVA! IMG_1149F

 

 

Meu Aniversário…

0EF74C0D-B709-40FE-BB9D-A8A808FC2878.jpeg Eu tinha doze anos quando chegou a Jardim uma professora de Português, fina, elegante, pessoa de enorme capacidade didática e de grande cultura. Muito dedicada e moderna, ela criou um Grêmio Cultural no Ginásio onde estudávamos. E além das aulas de português, cuidou também de ensinar poesias, leituras, postura, tudo que nos prepararia para sermos moças elegantes e educadas. E confesso que comigo ela teve muito trabalho, pois eu tinha um misto de timidez doentia misturado com complexo de inferioridade. Ou talvez isso fosse o problema hormonal comum a todos os adolescentes em qualquer época, em qualquer lugar do mundo, não sei, o que sei era o que eu sentia! Embora nós estudássemos no único ginásio que havia, eu sabia que a cidade era dividida em dois mundos : os filhos de militares, de funcionários públicos federais e de fazendeiros de um lado e o povo comum de outro lado.

Chegou o dia da apresentação de final de ano, onde mostraríamos todo nosso progresso resultante do árduo trabalho de nossa querida mestre. Entre poesias, poemas, musicas, trovas, quadrinhas, peças teatrais, coral, jogral, etc…lá estava eu, congelada, em pânico, esperando minha vez de subir ao palco. E subi, falei o meu poema, olhos grudados nos olhos da minha mestre, que me encorajava silenciosamente. Ao recitar o último verso lembro-me de que a frase era: Bendita é a morte, que é o fim de todos os milagres! Para mim significava: Bendita é esta frase, pois significa que consegui chegar ao final!  A plateia foi generosa nos aplausos e eu rápida em sumir no meio dos colegas! Rsrs.

Hoje vejo que  a maturidade tem suas vantagens, não existe mais nenhuma divisão, nem timidez, nem diferença. Este ano resolvi festejar meu aniversário aos moldes da minha mãe, que fazia questão de comemorar a vida, quando possível em grandes festas, se não, com o que desse para fazer, mas jamais sua data natalícia passaria sem comemoração. Pois bem, com a grande plateia formada por familiares e amigos, alguém me estende um microfone e na maior naturalidade eu me vejo falando o que me vem da alma, do coração, sem nenhuma preocupação a não ser o de transmitir o que eu estava sentindo.

Eu evoluí! Obrigada a minha mestre e Parabéns para mim, em meus 65 anos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não se boicote!

Nessa fase da vida começamos a época dos médicos, exames, remedios. Não necessariamente adoecemos, mas são condições físicas que se apresentam e temos que tratar  delas. É remedinho da pressão, da diabete,  a vitaminazinha, é o antidepressivo amigo, é assim ou não é? É sim! Aí vc acha que está ótimo e pode parar  de tomar seus remédios. Não!  Você está ótimo, exatamente por isso, porque  está  tomando seus remédios, porque está se alimentando direito, cuidando do que é certo, do que deve ser feito. Somos responsáveis por nós mesmos e podemos até ser idosos, mas com saúde ! Se cuida, tá?

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Algodão Doce

Existem pessoas que somam os números das casas da rua por onde passam. Tem outros que só pisam nos mosaicos pares. Há os que começam o banho por determinada parte do corpo, enfim, há diversas manias, pois,  como diz o ditado “de médico e de louco, todo mundo tem um pouco.”

A minha loucura é  comparar a expressão facial das pessoas com bichos.  Ou fazer analogia e comparações de fatos e situações com coisas inusitadas. Hoje por exemplo eu  tive um dia de algodão doce. Estava na missa, dia do meu aniversário…agradecer a Deus por mais um ano…quando vi sorrindo pra mim meu neto mais novo, olhei surpresa, logo o outro, de outro filho, levantei os olhos dos meninos e me vi rodeada, filhas, filhos, netos e nora, todos se acomodando ao meu lado…que onda de amor me envolveu! Dia de algodão doce, Com certeza!

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Viva El Chile!

Estou em Santiago do Chile. O que essa cidade fala à minha alma? Primeiro, que sou da América Latina, que minhas raízes são deste lado do mundo, porque me sinto confortável aqui, como quando se calça um chinelo usado ou uma roupa de ficar em casa. É uma sensação familiar, de aconchego.
Segundo, que descobrir isso já nesta etapa da vida vem a ser ou trazer outro conforto: o de sentir que “isso não ia prestar”, se fosse lá atrás, na juventude!
Sou uma pessoa privilegiada: Tudo ao seu tempo, no seu momento, na proporção que me dá paz, que me deixa em paz, e, por essas  constatações, mais uma vez eu digo: Obrigada Meu Deus, muito obrigada, por sempre escrever certo, nas linhas incertas da minha vida! Boa noite, amigos. E viva el Chile!IMG_1974

50. 60. 70 anos

IMG_1975Esses números te dizem alguma coisa? Você está fazendo aniversário nessas casas decimais? 50 e pouco ou 50 e muito? Não importa. O que realmente importa é que somos de uma geração diferente. Diferente em que sentido. No sentido de que somos os jovens velhos que ainda não são velhos.  Somos as pessoas , de quem dizem que” se fez.” Estudamos, pagamos pelos nossos cursos,  compramos à prestação as nossas casas e nossos carros  e demos aos nossos filhos o que não tivemos, e só agora na metade ou metade mais um tantinho da vida pudemos  viajar ao exterior, ou mesmo viajar para todos aqueles lugares maravilhosos que sempre estiveram lá, enquanto lutávamos pelo que aprendemos ser o certo, ou seja uma vida honesta, produtiva e correta.  E sem que nós estivéssemos almejando ou suspirando por isso chegou o nosso tempo de se aposentar. E agora? O que faremos nos longos anos que se apresentam a nossa frente, graças aos avanços da medicina, aos cuidados que passamos a dedicar ao nosso bem estar e saúde? Nós mulheres não voltaremos aos crochês, porque nunca estivemos lá!  Ou, nós os homens iremos pescar como, se não praticamos pesca, enquanto trabalhamos e provemos nós mesmos e nossos filhos?  Somos os atores de uma mudança na sociedade e o nosso comportamento nesse contexto definirá  um novo olhar sobre o que se considerava velhice. Cursos, hobbys, novos interesses, quem sabe nos tornar expert em algo inusitado, já viram quantos se tornam cozinheiros gourmets? Ou passam a se dedicar ao próximo,  a ajudar a comunidade, a fazer algo pelo social, se engajam em projetos ambientais,  ou  adotam animais de estimação ao qual se dedicam como uma extensão ou substituição da antiga família?

Tudo é válido  desde que estejamos bens, felizes e nos tornemos pessoas melhores. Esse é o novo desafio que se apresenta para essa geração que modificará o conceito de velhice! A nossa geração… a geração  dos idosos jovens  ou  jovens idosos!

 

 

Se o conselho for bom…siga!

“Dicas para meus amigos que já passaram dos 50 anos:
➖ Gaste o seu dinheiro com você, com seus gostos e caprichos.
➖ É hora de usar o dinheiro (pouco ou muito) que você conseguiu economizar . Use-o para você, não para guardá-lo e não para ser desfrutado por aqueles que não tem a menor noção do sacrifício que você fez para consegui-lo.
➖ Não é tempo para maravilhosos investimentos, por mais que possam parecer bons, eles só trazem problemas e é hora de ter muita paz e tranquilidade.
➖ PARE de PREOCUPAR-SE COM A SITUAÇÃO FINANCEIRA dos filhos e netos. Não se sinta culpado por gastar o seu dinheiro consigo mesmo. Você provavelmente já ofereceu o que foi possível na infância e juventude como uma boa educação. Agora, pois, a responsabilidade é deles. JÁ NÃO é época de sustentar qualquer pessoa de sua família.
➖ Seja um pouco egoísta.
➖ Tenha uma vida saudável, sem grande esforço físico. Faça ginástica moderada (por exemplo, andar regularmente) e coma bem.
➖ SEMPRE compre o melhor e mais bonito. Lembre-se que, neste momento, um objetivo fundamental é de gastar dinheiro com você, com seus gostos e caprichos e do seu parceiro. Após a morte o dinheiro só gera ódio e ressentimento.
➖ NADA de angustiar-se com pouca coisa. Na vida tudo passa, sejam bons momentos para serem lembrados, sejam os maus, que devem rapidamente ser esquecidos.
➖ Independente da idade, sempre mantenha vivo o amor. Ame o seu parceiro, ame a vida.
➖ LEMBRE-SE !! “Um homem nunca é velho enquanto se lhe restarem a inteligência e o afeto”.
➖ Seja vaidoso. Cabeleireiro frequente, faça as unhas, vá ao dermatologista, dentista, e use perfumes e cremes com moderação.
➖ SEMPRE se mantenha atualizado. Leia livros e jornais, ouça rádio, assista a bons programas na TV, visite a Internet.
➖ Respeite a opinião dos JOVENS. Muitos deles estão mais bem preparados para a vida, como nós quando estávamos na idade deles. Nunca use o termo “no meu tempo¨. Seu tempo é agora.
➖ NÃO caia em tentação de viver com filhos ou netos. Apesar de ocasionalmente ir alguns dias como hóspede, respeite a privacidade deles, mas especialmente a sua.
➖ Pode ser muito divertido conviver com pessoas de sua idade.
➖ Mantenha um hobby. Você pode viajar, caminhar, cozinhar, ler, dançar, cuidar de um gato, de um cachorro, cuidar de plantas, jogar cartas de baralho…
➖ Faça o que você gosta e o que seus recursos permitem.
➖ ACEITE convites. Batizados, formaturas, aniversários, casamentos, conferências … Visite museus, vá para o campo … o importante é sair de casa por um tempo.
➖ Fale pouco e ouça mais. Sua vida e seu passado só importam para você mesmo. Se alguém lhe perguntar sobre esses assuntos, seja breve e tente falar sobre coisas boas e agradáveis. Jamais se lamente.
➖ Permaneça apegado à religião.
➖ Ria muito, ria de tudo. Você é um sortudo, você teve uma vida, uma vida longa.
➖ Não faça caso do que dizem a seu respeito, e menos do que pensam de você.
➖ Se alguém lhe diz que agora você não faz nada de importante, não se preocupe. A coisa mais importante já está feita: você e sua história.
➖”A vida é muito curta para beber um vinho ruim”
(Texto de Gustavo Krause)

Centro de Convivência e Integração do Idoso – CCII

Essa sigla é uma perspectiva minha. Centro de Convivência e Integração dos Idosos.  Desconheço se existe esse local, mas penso que deveria existir. Poderia ser fruto de uma política pública de sucesso, um lugar agradável onde os idosos, a exemplos das crianças em CEINF fossem passar o dia, praticar um hobby, ter grupos de conversação, de jogos de dominó, cartas, ter leituras em voz alta uns para os outros, assistir filmes em grupos, enfim passar o dia em comunidade, de forma leve e prazerosa e ao final do dia voltariam para suas casas ou para suas famílias, cheios de novidades e alegrias a ser partilhadas. Por outro lado seus familiares também teriam cumprido seus compromissos de trabalho, estudo, reuniões, transito, filhos, sem a preocupação com o idoso  que ficou em casa sozinho.

Nao é uma boa perspectiva essa?

 

 

Se a Moça Acordasse

IMG_1976Se a moça acordasse ela daria um jeito em seus cabelos, ah se daria! Ela se lembraria de como seu cabelo era uma de suas riquezas, e que mesmo sem dinheiro era bem nutrido, bem cuidado, pois cremes eram  feitos de abacates tirados do quintal, massagens era  com  ovos das galinhas, touca para alisar era feita com um pedaço de meia fina, tudo isso ela usava para deixar seus longos cabelos negros, lisos e sedosos.

Mas a moça já dormiu, e hoje, apesar dos mega Hair, dos apliques, de toda espécie de avanço que existe para se ter uma linda cabeleira, ela apenas passa a mão em seus cabelos duros, curtos, grossos e vagamente se lembra que ela e a moça são  a mesma pessoa.

Purpurina!

purpurina

Imaginem purpurina caindo e esvoaçando sobre esse texto!

Imaginem mais, fogos de artifício explodindo, uma festa das letras, das palavras, dos textos, das fotos, enfim.

Sim, assim  é minha estreia em meu novo blog: O BLOG DA DIVINA

Divina porquê? Não porque  tenho olhos verdes…rsrsrsr.

Mas, especialmente, porque acredito que TODOS somos Divinos, Perfeitos e Maravilhosos.

Porque somos o sonho de Deus, e é na busca desse sonho que procuro viver.

Nos encontraremos aqui para refletir, para falar das nossas memórias afetivas, para compartilhar experiências, para nos animar e nos mimar,

Viver a vida, e de preferência, de forma DIVINA!